Pode o erótico ser Património da Humanidade? A UNESCO diz que sim

Na pequena cidade de Khajuraho, no centro da Índia, existem 22 grandiosos templos com esculturas eróticas, extremamente gráficas, que são não só considerados uma das “sete maravilhas” deste país, como também Património da Humanidade pela UNESCO.

O site pintolopesviagens.com refere que maioria dos templos foi construída entre os séculos X e XI pela dinastia Chandela, conhecida pela sua abertura em relação a todos os assuntos da vida – entre eles o sexo.

«Se Khajuraho não fosse uma cidade pequena, isolada, perdida no centro da Índia, provavelmente hoje não teríamos a possibilidade de contemplar 22 templos edificados pela dinastia Chandela, de arquitetura grandiosa e escultura dedicada aos prazeres da vida… sobretudo os carnais», é referido.

Originalmente, eles eram 85, construídos entre os séculos X e XI. Porém, Khajuraho não passou suficientemente despercebida para escapar ao poderio mongol, ao qual se atribui a destruição da grande maioria dos templos. Outros, simplesmente não resistiram ao tempo.

«Os templos de Khajuraho estão distribuídos por três grupos: o Ocidental, onde se encontram os edifícios mais afamados e de maior interesse arquitetónico; o Oriental, onde é possível apreciar exemplos de arquitectura jainista (por oposição à hindu) decorados com esculturas que revelam uma incrível mestria; e o Sul, com dois templos apenas. No grupo Ocidental, as cenas explícitas de sexo, muitas vezes em grupo, em posições muito difíceis de acreditar, tornam caricato o facto de a entrada ser grátis para menores de 15 anos», explicam os especialistas.

Mesmo nas esculturas que não são eminentemente sexuais, a conotação está presente. «Uma das representações mais eróticas com que nos deparamos nestes templos é a da mulher com um sari encharcado, que realça as formas do seu corpo, numa posição sempre muito ousada».

Os temas dos Templos Eróticos podem parecer, à partida, muito desenquadrados da mentalidade medieval, mas o facto de terem sido os reis Chandela os seus autores justifica-os. «Esta dinastia é conhecida pela sua abertura relativamente a todos os assuntos da vida, sendo o sexo um deles, e pela sua ligação ao culto tântrico. A grande parte das suas realizações arquitetónicas transmite, aliás, as doutrinas tântricas que os orientavam, assim como a total incapacidade e frustração do elemento masculino sem o feminino (e vice-versa)», esclarecem os especialistas.

Estes monumentos pertencem à lista de Património da Humanidade da UNESCO desde 1986. O mais significativo de todos, pelo menos em dimensão, é Kandariya Mahadeva, um templo que se julga ter sido erigido pelo rei Ganda (1017-1029) e que alberga esculturas consideradas das mais relevantes obras da arte indiana.





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