Sporting campeão seria “bom para o futebol português”, afirma o treinador Abel Ferreira

O treinador Abel Ferreira disse hoje que o Sporting “tem tudo” para ser campeão da I Liga, quebrando um jejum de 19 anos, e considerou que isso seria “bom para o futebol português”.

O atual treinador dos brasileiros do Palmeiras passou nove temporadas no Sporting, seis como jogador e três como treinador, primeiro dos juniores, tendo-se sagrado campeão nacional em 2011/12, e depois na equipa B.

“Tive momentos mágicos no Sporting enquanto jogador, com Paulo Bento [como treinador], ganhámos muito em pouco tempo, e momentos mágicos enquanto treinador, foi lá que ganhei os meus primeiros títulos [campeão nacional juniores em 2011/12]”, começou por dizer, em conferência de imprensa realizada hoje, em Braga.

O técnico, de 42 anos, frisou que o clube lisboeta tem sido “extremamente competitivo na Liga portuguesa” e notou não se lembrar “de ver o Sporting com uma vantagem tão grande” na frente do campeonato (10 pontos sobre o segundo classificado, o FC Porto), o que acontece “fruto do mérito dos seus jogadores, do seu treinador e do trabalho de uma estrutura: têm tudo para serem campeões e acho que é bom para o futebol português”, afirmou.

“As pessoas sabem da minha ligação, foi lá que ganhei os meus primeiros títulos enquanto jogador e treinador, foram quase 10 anos, foi lá que me lesionei, um momento horrível da minha carreira, e em que deixei de jogar, por isso, foi um momento muito marcante também, foi lá que me fizeram o primeiro convite para treinar, porque já reconheciam alguma competência, já tinha o curso de treinador de II nível e uma licenciatura [em Educação Física], foi um momento muito especial na minha cruzada de treinador, que começou aí”, relembrou.

Abel Ferreira considerou que, “por muito fraco” que fosse como treinador, “era impossível não ser campeão” com essa equipa de juniores do Sporting, onde despontavam jogadores como Esgaio, Tiago Illori, Rúben Semedo, João Mário, Iuri Medeiros, Carlos Mané ou Bruma, e lembrou que teve de tomar decisões difíceis logo nesses primeiros tempos.

“A minha cruzada como treinador começou no primeiro treino, em que mandei um jogador tomar banho mais cedo, o Gael Etock, que faltou ao respeito. Pouco tempo depois, o Illori e o Edgar Ié, dois titulares, começaram os dois à porrada num treino. Pegaram-se pela competitividade do treino. Um não jogou mais, porque não pediu desculpa, o outro pediu e jogou depois”, recordou.

Abel Ferreira deixou ainda elogios a Sérgio Conceição pelo “trabalho extraordinário” realizado no FC Porto, nomeadamente na Liga dos Campeões, destacando a recente eliminação da Juventus, jogo que viu pela televisão, com a sua equipa técnica.

“Foi preciso sofrer a bom sofrer, sobretudo depois da expulsão [de Taremi]. Em tamanho, Portugal e os portugueses não somos muito grandes, mas em vontade, em ambição e em talento, somos do tamanho dos maiores. O que o Sérgio Conceição tem feito no FC Porto é algo de notável e histórico, e o que conseguiu agora frente a uma superequipa [Juventus], com outros recursos, é de enaltecer. É bom para o futebol português, para todos, para a valorização de um produto e de uma indústria que temos”, disse.

O treinador lembrou ainda o Sporting de Braga, clube que orientou e onde também jogou.

“O Braga cresceu muito nas infraestruturas, o presidente António Salvador tem uma visão muito clara e faz as coisas acontecer, foi espetacular trabalhar com ele. O clube tem vindo em crescendo nos últimos anos, é o cimentar de um processo, de uma forma de jogar, com grandes treinadores. Fez uma campanha extraordinária na Liga Europa e ainda está a fazer na Taça de Portugal, joga um futebol espetacular. O Carlos Carvalhal, que também foi meu treinador no Sporting, é muito metódico na estratégia de jogo e está de parabéns”, disse.

Abel Ferreira foi condecorado na segunda-feira pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique, medalha que disse representar “um orgulho imenso de ser português”.

O técnico assumiu o comando do Palmeiras no final de outubro de 2020, levando a equipa à conquista da Taça Libertadores, um ano depois de Jorge Jesus o fazer com o Flamengo, e da Taça do Brasil.

O ‘verdão’ só tinha levantado a Libertadores uma vez, em 1999, com o ex-selecionador português Luiz Felipe Scolari, somando nova conquista com a vitória sobre o Santos, por 1-0, em 30 de janeiro deste ano, no Maracanã.

“Quando estava a receber esta medalha, estava a pensar em cada uma das pessoas que me ajudaram a receber esta condecoração. Não sei se sou merecedor de a receber sozinho, porque muitos contribuíram para que esses feitos e conquistas fossem possíveis, jogadores, diretores, equipa técnica”, disse.

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