Plano Ferroviário Nacional ‘vai mudar’ Lisboa: novas estações, Loures a 15 minutos e Setúbal a 30 de distância

Lisboa será a grande beneficiária do Plano Ferroviário Nacional, revelado no passado dia 17 – das 175 milhões de viagens de comboio feitas no país, 134 milhões são realizadas nos comboios suburbanos da capital. O plano do Governo, cujo calendário de ação estende-se até 2050, pretende transformar a atual rede ferroviária da AML, passando de uma “estrutura radial” para “diametral”.

A atual estrutura, apontou esta quinta-feira o ‘Diário de Notícias’, “torna difíceis as deslocações que não têm como destino Lisboa”, o que provoca “uma elevada frequência e ocupação às horas de ponta”. Com a nova estrutura proposta, “facilita ligações rápidas entre os municípios da periferia da AML”. O plano prevê vários investimentos na ferrovia com impacto em Lisboa e na sua área metropolitana. A estação do Alvito, em Alcântara, poderá vir a abrir ao serviço de passageiros e Setúbal pode vir a ficar a apenas 30 minutos de distância.

Dois dos maiores investimentos com impacto na mobilidade em Lisboa são a construção da Terceira Travessia do Tejo, entre Chelas e Barreiro, e a criação de um novo acesso da Linha do Oeste a Lisboa. Esta última proposta permitiria a chegada de passageiros vindos de Loures ao centro de Lisboa em cerca de 10 a 15 minutos e resultaria na diminuição dos tempos de viagem entre Lisboa e concelhos como Caldas da Rainha e Torres Vedras, que passaria a ficar a apenas 40 minutos da estação Lisboa-Oriente. Atualmente, o tempo de viagem mais curto entre as duas estações é de cerca de 1h30.

Os tempos de viagem de comboio de Lisboa para o Algarve e o Alentejo vão diminuir em cerca de 30 minutos, a partir do momento em que esteja concluída a 3ª travessia do Tejo, em Lisboa, uma obra prevista no Plano Ferroviário Nacional.

“O investimento com maior impacto positivo nas ligações de Lisboa ao Alentejo e Algarve é a construção de uma nova travessia ferroviária do Tejo em Lisboa. Trata-se, porventura, da peça mais importante em falta na rede ferroviária nacional, já que é aquela que permite atenuar o efeito do Rio Tejo como principal obstáculo à mobilidade entre todo o Sul e Lisboa, sem esquecer o Centro e Norte do País”, pode ler-se na versão do plano recentemente aprovada em Conselho de Ministros e que ainda será sujeita a consulta pública.

O mesmo documento colocou a possibilidade de investimentos na Linha do Sul, apontando duas alternativas, uma das quais a construção de um novo troço que coloque Faro, Beja e Évora no mesmo eixo, o que diminuiria o tempo de viagem entre a capital algarvia e Lisboa para menos de duas horas, mais precisamente 1h55, no serviço Alfa Pendular.

A nova ponte sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, prevê a criação de quatro vias férreas – duas destinadas à circulação de serviços suburbanos e outras duas destinadas a comboios de longo curso – e, uma vez concretizada, possibilitará cortar em metade o atual tempo de viagem entre Lisboa e Setúbal. Atualmente com duração de uma hora, passaria a poder realizar-se a viagem em cerca de 30 minutos. Segundo o plano proposto, também a atual estação Alcântara-Terra deverá desaparecer, dando lugar a uma nova estação, subterrânea e “tipo metro, com uma concordância à Linha de Cascais”.

Em todo o país, é objetivo nacional fazer crescer a quota modal do transporte ferroviário para 20% até 2050, quando em 2019 se situava apenas nos 4,6% (na União Europeia, a média era de 8%).

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