Moção de censura do Chega chumbada na Assembleia da República

A moção de censura apresentada pelo Chega foi, naturalmente, chumbada esta quarta-feira na Assembleia da República, com os votos contra do PS, do PCP, PAN, Livre e do Bloco Esquerda – já o PSD e Iniciativa Liberam abstiveram-se, após um debate que teve momentos de enorme exaltação em certos períodos.

Na votação, houve 133 deputados que votaram contra, face aos 12 deputados do Chega que votaram a favor. Votos de abstenção foram 80.

“O senhor primeiro-ministro sabe que tem pela frente um desafio que já não consegue concretizar, a desorganização e a desorientação geral do Governo são prova disso mesmo. O caos na saúde, nos combustíveis, no aeroporto e um ministro que já não existe são a prova final que precisávamos de que este Governo já não está cá para exercer funções”, afirmou André Ventura na sessão parlamentar, insistindo que “esta moção de censura não é feita por qualquer motivo de agenda política nem por qualquer motivo supérfluo”.

A moção de censura foi anunciada na passada sexta-feira por André Ventura, justificando com um conjunto de situações que passam pelo “caos absoluto na saúde”, as opções do Governo face ao aumento dos preços dos combustíveis, culminando no “ato politicamente mais grave” envolvendo o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Na moção de censura, intitulada “acabar com a deterioração constante da credibilidade do Governo e o empobrecimento crónico dos portugueses”, o partido acusa o Governo de estar “sem estratégia”. “Os escassos meses do XXIII Governo Constitucional foram já prova bastante da sua falta de capacidade e organização”, defende o Chega.

António Costa acusou Chega de “vociferar muito”

O primeiro-ministro considerou que a moção de censura representa um exercício de oportunidade na competição da oposição e acusou este partido de “vociferar muito” e nada propor para o país. António Costa começou por observar que, em política, “nada é por acaso” e apontou que a moção de censura do Chega foi apresentada “no dia em que se iniciava o Congresso do PPD/PSD e marcada para o dia em que estava prevista uma interpelação do PCP”. “Ou seja, esta moção de censura mais do que dirigida ao Governo é um exercício de oportunidade na competição com os outros partidos da oposição”, defendeu.

“Como é próprio dos populistas, o Chega vocifera muito, mas nada propõe e nada resolve. Esta é uma distinção essencial entre nós. Os populistas alimentam-se dos problemas. Um Governo responsável, reconhece os problemas e age para os resolver”, declarou António Costa no Parlamento.

Do lado do PSD, Paulo Rios de Oliveira justificou imediatamente a razão do prolongado silêncio do seu partido neste debate: “O PSD não quis contribuir para o enorme frete que o Chega prestou ao Governo”. O Parlamento “não merece que se brinque às figuras regimentais — e para ofuscar o congresso do PSD se lance mão da figura da moção de censura, fingindo pretender provocar a queda do Governo”.

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