Líder saudita Mohammed bin Salman recebe imunidade dos EUA no envolvimento do assassinato de Khashoggi

Os Estados Unidos da América (EUA) decidiram que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder da Arábia Saudita, tem imunidade na ação judicial pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, avança a ‘Sky News’.

Khashoggi foi assassinado no consulado saudita situado em Istambul, em outubro de 2018, crime que os serviços secretos norte-americanos acreditam ter sido ordenado pelo príncipe Mohammed.

Contudo, como Mohammed bin Salman é vice-primeiro-ministro e ministro da defesa da Arábia Saudita, o Departamento de Estado dos EUA decretou que o seu cargo teria influência na decisão.

Ao ter conhecimento da notícia, a ex-noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, escreveu no Twitter que “Jamal morreu de novo”, ela que em conjunto com o grupo de direitos humanos ‘Democracia para o Mundo Árabe Agora (Dawn)’, fundado por Khashoggi, tentou obter provas do assassinato do companheiro.

A acusação feita ao líder saudita alegava que, com a ajuda de funcionários, teria “raptado, atado, drogado, torturado e assassinado o jornalista residente nos EUA e defensor da democracia, Jamal Khashoggi”.

A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard, afirmou que “hoje em dia, é imunidade. Tudo se resume à imunidade”.

De recordar que o estatuto do príncipe herdeiro saudita mudou formalmente em setembro, quando foi nomeado primeiro-ministro. MBS, como é conhecido, tem o poder total do país desde que se tornou príncipe herdeiro em 2017.

Seria improvável que os EUA, como parceiro estratégico da Arábia Saudita e fornecedor de armas, facilitasse a detenção de Mohammed bin Salman. Assim, conceder-lhe imunidade deixa a corte real saudita aliviada, contudo esta decisão gerou vários protestos de grupos de direitos humanos.

Também o desejo de Washington de melhorar as relações com a liderança saudita poderá ter influenciado este desfecho, dado que o MBS e o presidente americano Joe Biden não têm a melhor relação devido à recente recusa dos sauditas em fornecer mais petróleo para baixar os preços dos combustíveis americanos. Para além disso, os sauditas têm uma relação cada vez mais próxima tanto com a Rússia como com a China.

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