Grande Porto: Trabalhadores da CP em greve parcial esta segunda-feira. Empresa alerta para “perturbações” até ao meio-dia

Os trabalhadores da CP do Porto realizam esta segunda-feira, 23 de maio, uma greve parcial, havendo já outra agendada em Lisboa para a próxima sexta-feira dia 27.

O anúncio das duas greves foi feito na semana passada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), com o objetivo de reivindicar melhorias salariais.

Desta forma, a greve parcial na zona urbana do Porto vai decorrer entre as 05:00 e as 08:30 desta segunda-feira. Já a da zona urbana de Lisboa está prevista para sexta-feira, entre as 17:00 e as 21:00.

Na sexta-feira, a CP alertou para possíveis perturbações nos urbanos do Porto na manhã de hoje. “Por motivo de greve parcial para o período compreendido entre as 05:00 e as 08:30 de dia 23 de maio de 2022, podem ocorrer perturbações significativas na circulação dos comboios urbanos do Porto, com impacto previsto entre as 00:00 e as 12:00”, divulgou a empresa no seu site.

A CP acrescentou que “o Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social não decretou serviços mínimos para esta greve”, lamentando “os incómodos causados aos seus clientes”.

A empresa de transporte ferroviário “envidará todos os esforços para prestar o melhor serviço possível aos seus clientes, apesar dos constrangimentos decorrentes desta situação”, segundo o comunicado.

É também recomendada pela CP “a obtenção de informação sobre o estado da circulação de comboios, através do contacto com os canais de informação da Empresa, cp.pt ou linha de atendimento – 808 109 110 (custo de uma chamada para a rede fixa nacional)”.

Em causa para estas greves está o facto de o sindicato, que na CP representa a maioria dos trabalhadores do serviço comercial e transporte (revisores, trabalhadores das bilheteiras e as suas chefias diretas), ter considerado que o aumento de 0,9% da tabela salarial não é “um valor aceitável” face a contínua perda de poder de compra, “algo que já acontece desde 2019”.

“Conclui-se que a CP, para os trabalhadores do comercial e transportes, entende que valores entre 6,50€ [euros] e 12,39€ acrescidos de 0,14€ no subsídio de refeição são mais que suficientes”, atirou o sindicato, que defende que a administração da empresa e as tutelas “não podem ficar indiferentes ao brutal aumento do custo de vida”.

O SFRCI desvalorizou ainda o anúncio público da CP, que em 16 de maio afirmou que tinha assinado um princípio de acordo com 12 sindicatos, apontando que “muitos deles” têm uma “taxa de representatividade muito reduzida” e que deixou entender “que os motivos que levaram à greve do dia 16 de maio não se justificavam”.

O sindicato assinalou ainda que nos últimos 11 anos houve congelamento dos salários para os trabalhadores ferroviários em nove deles e alertou para a queda do poder de compra, que é “real e abrupta”.

“Os trabalhadores da CP, nem mesmo com recurso ao trabalho extraordinário, abdicando de uma vida familiar e social sã, conseguem esconder as enormes dificuldades que estão a passar”, lê-se no documento, que sublinha que os trabalhadores querem ser tratados “com a mesma equidade e dignidade que outras categorias profissionais da empresa, a quem atribuiu aumentos salariais mais generosos”.

Em comunicado enviado à comunicação social no dia 16, o Conselho de Administração da transportadora informou que a empresa “chegou a acordo com a larga maioria dos sindicatos que representam os trabalhadores da CP, com vista à revisão dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho da empresa, permitindo, nomeadamente a integração total de todos os trabalhadores (incluindo os trabalhadores que transitaram da ex-EMEF) nos mesmos instrumentos e condições de trabalho, sem descurar as especificidades de cada profissão”.

A empresa acrescentou que os 12 sindicatos com os quais chegou a acordo representam 71% dos trabalhadores sindicalizados da CP.

Dos resultados alcançados na negociação a CP destacou, entre outros, o aumento salarial para todos os trabalhadores de 0,9%, com efeitos retroativos a 01 de janeiro de 2022, a uniformização do subsídio de refeição para 7,74 euros e a integração dos trabalhadores da ex-EMEF na tabela salarial da CP, com efeitos retroativos a 01 de janeiro.

Recorde-se que os trabalhadores da CP – Comboios de Portugal fizeram na segunda-feira da semana passada uma greve de 24 horas, para reivindicar aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores.

Ler Mais


Comentários
Loading...