Eleições PSD: “Militantes vão escolher o líder que tiver melhor montra para uma política de casos e bombas”, garante analista

As eleições para o sucessor de Rui Rio na liderança do PSD são este sábado: Jorge Moreira da Silva disputa a liderança do maior partido da oposição com Luís Montenegro perante 44.500 militantes do partido social-democrata, naquela que será a 11ª eleição direta desde 2006.

Uma sondagem publicada esta sexta-feira, da responsabilidade da Aximage para o ‘DN’, ‘JN’ e ‘TSF’, apontou que os portugueses estão divididos: 21% preferem Luís Montenegro e outros 21% apostam em Jorge Moreira da Silva. Mas mais importante: 58% não tem uma opinião sobre quem deve liderar o partido, o que é representativo do desinteresse nacional.

A mesma opinião tem José Adelino Maltez, professor universitário e investigador de ciência política, em declarações à Multinews.

“Fora do PSD ninguém liga a isso. Os dois candidatos são iguais, vão escolher o que for a melhor montra. Mas de fora, ninguém repara nas diferenças. Fora do PSD, é tudo igual. Portanto, para este sábado vai ser uma questíuncula interna”, precisou.

Qualquer que venha a ser a escolha dos militantes sociais-democratas, a tarefa não se adivinha fácil.

“O papel do PSD vai ser diferente de papéis anteriores. É perceber que a principal oposição não vai existir no Parlamento entre os partidos entre eles. A principal oposição vai ser a capacidade do PSD de encontrar aliados na sociedade civil – a oposição vai nascer das associações cívicas que se formem e o aproveitamento que o principal partido vai fazer dos casos e da falta de autenticidade do PS. Vai ser uma política de casos”, explicou Adelino Maltez.

“O bom líder será o que souber aproveitar isto. Mais do que os partidos, que vão ter de se adequar a essas movimentações. O Portugal que acorda com maioria absoluta é aquele que acorda com notícias recentes das buscas judiciais sobre fraudes nos fundos europeus. Serão bombas e bombinhas, bombas de Carnaval, e portanto os partidos da oposição vão gerir, numa estratégia de desgaste, essa travessia no deserto. Não há fim do Governo PS à esquina. Vão ser muitos anos a montar esquemas para ser a voz dos insatisfeitos pela maioria absoluta”, revelou, garantindo: “Esse trabalho vai ser mais importante do que a pessoa do líder.”

“As pedras do jogo são diferentes – temos aqui não apenas uma travessia do deserto mas descobrir outras formas de o atravessar, algo que o PSD não tem experiência”, frisou o académico. “O maior partido da oposição é o partido que lidera a oposição ao PS. Mas até às últimas eleições, o PSD tinha de fazer coligações com o CDS-PP. Agora é diferente. O CDS deixou de ter representação parlamentar e os parceiros disponíveis são o Chega e a Iniciativa Liberal.”

Ou seja, o próximo líder do PSD terá de ser um “federador das quatro pernas da direita, isto é, o CDS, PSD, Iniciativa Liberal e Chega”. E o que vai estar em causa, nas eleições deste sábado, é a escolha do “líder do aparelho do poder, não o líder dos federadores de poderes”, finalizou.

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