Eleições em Itália: quem são os candidatos, o que dizem as sondagens e como a extrema-direita cresceu nas intenções de voto

Este domingo a Itália vai a votos e, segundo as sondagens, Giorgia Meloni, que lidera o partido de extrema-direita Irmãos de Itália (‘Fratelli di Italia’ ou FdI na sigla original), está destacada nas intenções de voto – a última sondagem apontou que a coligação de centro-direita recolheu 47%, com o partido de Meloni na liderança.

Segundo o Instituto Ipsos, que divulgou números a 9 de setembro, publicados pelo ‘Corriere della Sera’, o partido de extrema-direita de Giorgia Melioni consolidava o primeiro lugar com 25,1% das preferências dos eleitores, com um crescimento de 1,1% em relação ao final de agosto. Já o Partido Democrático (PD) de Enrico Letta reuniu 20,5% dos votos, uma queda de 2,5% em relação a agosto. Depois, o Movimento 5 Estrelas (M5S), que averbou 14,5% das intenções de voto, com a Liga de Salvini em quatro lugar, reunindo 12,5%. A Força Itália, partido fundado por Berlusconi, chegava aos 8%.

A confirmarem-se os números da sondagem, a aliança dos partidos conservadores poderá mesmo conseguir modificar a Constituição italiana sem realizar um referendo. E esse é, precisamente, um dos objetivos de Meloni, que já disse que quer mudar o atual sistema parlamentar italiano para um sistema presidencialista.

Em julho último, Meloni assinou um acordo com Salvini e Berlusconi para assumir o cargo de primeira-ministra se a direita vencer as eleições. A coligação chegou a acordo para concorrer em conjunto nos 221 círculos eleitorais com um candidato comum, selecionado entre os mais proeminentes de cada força política.

No entanto, não são ‘favas contadas’: as intenções de voto podem ter mudado muito nos últimos dias, já que a taxa de indecisos é elevada e é esperada uma participação de 65% dos eleitores italianos, o que significaria um novo mínimo histórico em Itália – entre os motivos para a abstenção, a queda do Governo tecnocrata de Mario Draghi e o cansaço dos eleitores pelas reviravoltas partidárias.

Giorgia Meloni, que em 2019 definiu-se como “mulher, mãe, italiana e cristã”, tem sido a protagonista destas eleições legislativas. Nas de 2013, o FdI não chegou a obter 2% dos votos. Nascida em Roma em 1977, milita desde a juventude em associações de extrema-direita e tem como lema “Deus, Pátria e Família”. Foi ministra da Juventude no Governo de Silvio Berlusconi e foi uma das fundadoras, em 2012, do partido Irmãos de Itália.

Os Irmãos de Itália são o partido herdeiro do Movimento Social Italiano, formação neofacista fundada após a II Guerra Mundial, mas Meloni garantiu que a direita italiana há muito que deixou o fascismo para trás, definindo-se como “pós-fascista”. Já elogiou Benito Mussolini e pode mesmo ser a primeira mulher a conseguir assumir o cargo de primeira-ministra em Itália, a primeira líder de extrema-direita desde o próprio Mussolini. “Não há lugar para os nostálgicos do fascismo, do racismo e do antissemitismo”, garantiu Meloni.

Giorgia Meloni tem um programa político bem definido: conservadorismo e oposição feroz à chegada de migrantes, bem como às famílias de casais do mesmo sexo. Meloni é defensora das “flat taxes”, ou seja, impostos iguais para todos os cidadãos, independentemente dos seus rendimentos, o fecho de fronteiras para proteger a Itália da “islamização” e até renegociação dos tratados europeus para conseguir maior poder de decisão.

Na oposição está Enrico Letta, do Partido Democrático, o segundo nas intenções de voto, que contrapõe com “trabalho, trabalho, trabalho e sobretudo igualdade”. “A igualdade é um valor universal que, infelizmente, não existe e a direita continua a não querer, como demonstra a proposta deles de reforma fiscal. As ‘flat tax’ para todos são o exato oposto do princípio de igualdade”, defendeu Letta. O líder já recusou governar com a direita mas, desta vez, não conseguiu entender-se com todos os partidos à esquerda. Em 2013 e 2014 liderou um Governo de coligação que juntou partidos de centro-esquerda com centro-direita, mas foi afastado do cargo pelo adversário dentro do próprio PD, Matteo Renzi. Moderado e pró-europeu, Enrico Letta sublinhou que a sua agenda política foca-se no desemprego, nas mulheres e nos jovens. E propunha mesmo a concessão de nacionalidade aos filhos de imigrantes estrangeiros nascidos em Itália.

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