Covid-19: Variante Beta está a preocupar a Europa. O que devemos saber sobre a mutação que é mais resistente às vacinas?

Não é apenas a variante Delta que está a suscitar preocupações junto da comunidade científica e dos líderes políticos. Em determinadas regiões da Europa, há preocupações crescentes acerca da propagação da variante Beta detetada pela primeira vez na África do Sul e que é a principal responsável pelo aumento de contágios em França.

Na semana passada, o governo britânico anunciou que qualquer pessoa que viajasse da França para o Reino Unido teria de ficar em quarentena, mesmo que estivesse totalmente vacinada, porque estava preocupado com a “presença persistente” de casos da variante Beta em território francês.

O Ministro francês dos Assuntos Europeus, Clement Beaune, descreveu as medidas do Reino Unido como “excessivas” e a embaixadora da França no país, Catherine Colonna, citou dados que mostram que os casos da variante beta estão a diminuir.

Estará o governo do Reino Unido certo ao demonstrar maior preocupação com a variante Beta? A CNBC reuniu alguma informação sobre esta estirpe.

É sabido que o coronavírus sofreu várias mutações desde o seu surgimento na China no final de 2019, embora algumas delas tenham sido muito mais significativas do que outras, quanto à facilidade de propagação.

A variante Alfa descoberta pela primeira vez em Kent, Inglaterra, tornou-se globalmente dominante no início de 2021, antes de ser “ultrapassada” pela variante Delta que foi detetada pela primeira vez na Índia.

Ao contrário destas outras “variantes”, a variante Beta surgiu na mesma época que a Alfa, mas não se propagou da mesma forma, ficando em grande parte confinada à África do Sul e aos seus países vizinhos, onde foi detetada no outono passado, apesar de já terem sido reportados casos em todo o mundo.

O mais recente relatório semanal da Organização Mundial da Saúde mostra que a variante beta foi encontrada em 130 países, além de sete novos países na semana passada.

Em entrevista à BBC, John Edmunds, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, admitiu que esta variante é menos contagiosa que a Delta, mas parece apresentar uma maior quebra de eficácia nas vacinas disponíveis.

“A variante Beta continua a ser uma ameaça. É provavelmente menos infecciosa do que a variante Delta que está se a espalhar-se aqui no Reino Unido, neste momento. Mas é capaz de escapar mais eficazmente da resposta imunitária [da vacina]”, afirmou.

“À medida que a população fica mais imunizada, as condições ficam favoráveis para que a variante Beta tenha uma vantagem”, sublinhou Edmund.

O especialista diz que a sua opinião é sustentada em vários estudos desenvolvidos, nomeadamente na África do Sul, e que confirmaram uma menor eficácia da vacina da AstraZeneca perante esta variante.

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