Mobilidade e sustentabilidade em discussão na III conferência Automonitor

Decorreu esta quinta-feira a terceira Conferência Automonitor powered by Marketeer e Executive Digest, sob a temática “A Mobilidade e a Sustentabilidade – O que mudou?”.

A conferência contou com a apresentação do Key Note Miguel Pinto Luz, Vice-Presidente da Câmara Municipal, que explicou a estratégia do município para a área da sustentabilidade, alicerçada pelo programa MobiCascais. Este programa consiste num sistema integrado de gestão da mobilidade sustentável em Cascais, assente numa plataforma integradora de vários operadores de serviços nas áreas do bike sharing e parking, car sharing, autocarros, estacionamento de superfície, parques fechados, pontos de carregamento elétrico, Wi-Fi, transporte de doentes e veículos autónomos. Toda esta rede é acessível através do cartão Viver Cascais (físico ou digital), que dá acesso privilegiado aos serviços a todos os que vivem em Cascais, mas também a quem lá estuda ou trabalha.

O programa MobiCascais procura promover a utilização do transporte público e das soluções de mobilidade suave, tendo-se tornado num exemplo nacional e internacional de um sistema de mobilidade integrado, económico, eficiente e sustentável, oferecendo um pacote diversificado e completo de opções para a deslocação dentro do concelho.

A conferência prosseguiu com a apresentação de Sérgio Carvalho, diretor de marketing da Fidelidade, com o tema “Seguros e Mobilidade: desafio e oportunidades”. Nesta intervenção, Sérgio Carvalho recordou que o seguro automóvel sempre foi uma âncora para o setor segurador, razão pela qual a nova mobilidade representa um grande desafio, mas também uma oportunidade. «As tendências apontam para uma mudança drástica na forma como nos movemos, e por isso o desafio não é apenas tecnológico, mas ético e de segurança», afirmou. Com a «forte penetração» do mercado elétrico na equação da mobilidade, toda a cadeia de suporte apresenta novos desafios ao setor segurador, que não se esgotam na assistência, mas passam também pelo suporte.

Várias tendências estão em curso em simultâneo. Por um lado, o desenvolvimento tecnológico que está a reduzir o número de sinistros e, por outro lado, os veículos autónomos, que mudam o paradigma do seguro automóvel. Questões com um forte impacto no sector e que obrigam à criação de produtos diferentes, como é o caso da drive 2.0 da Fidelidade. Esta é uma app associada ao seguro automóvel que acrescenta valor ao produto e se foca na poupança e na segurança. Os utilizadores registados na app passam a poder registar automaticamente as suas viagens e aceder a um conjunto de informações sobre os seus hábitos de condução. Ao cumprir desafios para se tornar melhor condutor, o utilizador pode ganhar recompensas, entre elas FidCoins que podem ser trocadas por artigos ou serviços na loja online da Fidelidade.

Teresa Ponce Leão, presidente da Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, trouxe para a conferência o tema da pandemia e como a Covid-19 teve um forte impacto na mobilidade nas cidades. Com o forte decréscimo da circulação de veículos, associada a outros fatores, ficaram expostos os benefícios para o ambiente, o que reforça a ideia de que é preciso uma revolução do sistema energético. Teresa Ponce Leão aponta como caminhos a aposta na descarbonização e a utilização do hidrogéneo naqueles sectores onde a implementação da energia elétrico pode ser difícil ou dispendiosa, dando como exemplos o aquecimento dos edifícios e o abastecimento de meios de transporte para vagens de longo curso, nomeadamente aviões e barcos. Em resumo, três mudanças poderão estar no horizonte: o recurso a novas fontes de energia, o desenvolvimento de novos negócios sustentáveis no âmbito da indústria e uma mobilidade pensada para a redução de emissões poluentes.

Esta conferência contou ainda com a intervenção de Francisco Aires de Sousa, diretor de marketing e comercial da Carris, que evidenciou o exemplo de uma empresa com mais de 150 anos de história no transporte coletivo. E reforça a ideia de que «é necessário explorar modelos urbanos mais sustentáveis». Para isso, é preciso «abrir horizontes na cultura de mobilidade no sul da Europa, introduzir novos conceitos de mobilidade e trazer modernidade e inovação ao ecossistema.

A Carris tem uma estratégia que pretende oferecer várias soluções de transporte para as diversas situações da vida das pessoas. O objetivo é que seja abandonada uma fidelização a um só meio de transporte, seja ele qual for, e que uma série de soluções diferentes se apresentem para as várias necessidades de transporte – pendular, de lazer, em diferentes horas do dia, com diferentes propósitos. Para cumprir estes objetivos, a Carris tem vindo a modernizar as suas frotas, mas também a implementar alterações e melhorias em áreas como o atendimento ao cliente e a comunicação. Com a Covid-19 a Carris tem hoje menos 40% de passageiros, mas prepara o futuro tendo em conta as novidades do pós-pandemia, que obrigarão a ter em conta a realidade do teletrabalho, das reuniões virtuais e do desfasamento de horários.

Anabela Silva, diretora de marketing e comunicação externa da BP, falou da importância dos programas de compensação de carbono e da forma como a empresa se está a transformar numa companhia centrada não apenas no petróleo, mas numa estratégia de energia integrada, com recurso a soluções sustentáveis. Para a BP, a questão da sustentabilidade não se esgota em estratégias para a defesa do meio ambiente e tem de ir mais longe, incluindo também o respeito pelos direitos humanos e a melhoria das condições de vida. A BP já tem em curso programas de compensação carbónica para compensar as emissões de todos os seus postos de abastecimento. O programa BP Target Neutral pretende despertar consciências, mas também fazer com que todas as emissões sejam compensadas no que diz respeito à pegada de carbono.

A mesa redonda, com o tema central da conferência, contou com a participação de Mário Seborro, diretor de clientes Top Corporate da Altice Empresas, Nuno Serra, diretor de marketing da Volkswagen, e Rui Vieira, Electric Mobility Manager da Galp Energia. O debate foi moderado por Ricardo Florêncio, CEO do Multipublicações Media Group.

Mário Seborro lembrou a forma como a pandemia aumentou a pressão sobre as redes de telecomunicações com o confinamento e, depois disso, a manutenção de hábitos diferentes a obrigarem à deslocalização de redes de trabalho e a um aumento muito significativo do número de utilizadores ligados à rede em simultâneo. A remotização dos serviços foi outro dos pontos de pressão e também o acelerar do comércio eletrónico. Desafios que Mário Seborro considera que a Altice «superou, e com muita qualidade».

Outro ponto importante é o futuro, em que a conetividade, devido aos avanços da IOT, será global. Para a operadora é importante perceber quais as espetativas do mercado e a criação de projetos chave-na-mão para os clientes. A pandemia acelerou esta transformação e o 5G será decisivo, com velocidades de conexão 20 vezes maiores, latência de apenas 1 milissegundo, muito mais terminais ligados em simultâneo e um consumo energético dos devices muito menor.

Nuno Serra destaca que a pandemia «reforçou a estratégia de eletrificação». O lançamento do Volkswagen ID.3 «aponta o caminho para as emissões neutras». O diretor de marketing da marca alemã lembra que além das estratégias das empresas, também o comportamento dos clientes mudou, e é preciso dar resposta com soluções sustentáveis e que vão ao encontro daquilo que o mercado está à espera. É que embora as vendas tenham baixado em todo o setor automóvel, a mobilidade individual ganhou peso e a procura por usados e motociclos disparou, o que faz antever o que poderá ser o futuro quando a pandemia estiver contida.

Por fim, Rui Vieira afirma que «a pandemia só veio validar aquela que já era a estratégia da Galp porque o tema da sustentabilidade saiu beneficiado». Antes da Covid-19 a Galp já tinha investimentos em curso para baixar as emissões e apostar em energia não poluente. O que mais terá mudado é a interação dos consumidores, que estão a fazer disparar a mobilidade elétrica. Para dar resposta a esta procura, a Galpa está a aumentar a sua rede de pontos de carregamento rápido que conta com mais de 800 unidades, não apenas em postos de abastecimento, mas também em locais como centros comerciais, empresas e parques de estacionamento municipais.





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