Ensaio: Mercedes-Benz C220d Cabrio – Adicionar cor à rotina

Muito provavelmente, há algo de metafórico no que se encontra neste momento à minha frente. Se virar para o lado esquerdo, demoro uns dez minutos até estar enfiado no meio do trânsito, antes de entrar na cidade, rumo ao escritório. Se virar para o lado direito, tenho uma autoestrada sem trânsito que me leva a uma das minhas estradas preferidas, com a vantagem de estar quase deserta durante a semana. Tem a desvantagem de me fazer chegar (muito) atrasado ao trabalho, mas melhora consideravelmente a minha sanidade mental e ainda é capaz de me somar um ou dois anos de vida. Como estou sentado no novo Mercedes-Benz C220d Cabrio e tenho o depósito praticamente atestado, vou arriscar abrir o pisca para o lado direito e arrancar. Mas não antes de abrir a capota e fazer erguer os protetores de vento…

A nova geração do Mercedes-Benz Classe C inclui uma atualização das suas linhas, sem romper muito com o desenho final de todo o conjunto. Conta com muito mais tecnologia e com os sistemas mais recentes da marca, transformando-o quase num modelo totalmente novo mesmo sem o ser. Neste novo modelo, há agora sistemas de iluminação em LED, detalhes estéticos atualizados e novos componentes no habitáculo tais como o painel de instrumentos totalmente digital ou o novo monitor central com um novo grafismo e dimensão, tal como já acontece com diversos outros modelos da marca.

Em autoestrada, com a capota aberta e com o corta-vento na sua posição mais elevada, o ambiente a bordo é digno de um momento de lazer, ainda que estejamos a caminho do trabalho (pela rota mais longa). E mesmo com o ponteiro do velocímetro colado nos 120 km/h tal como programado no cruise-control, não há demasiado vento a bordo, nem corremos o risco de começar tudo a voar no habitáculo. Além disso, se a temperatura começar a descer, ainda podemos contar com diversas soluções para este problema, tais como o aquecimento do assento, o sistema de ventilação convencional e um outro, mais específico, com uma saída mais próxima do pescoço e a que a marca chama Airscarf.

Em termos de espaço, quem viaja nos lugares da frente consegue sempre uma boa posição de condução, com múltiplas regulações do assento e com um conforto elevado. Já nos lugares traseiros, o espaço para as pernas pode ser um pouco mais justo que o desejado, especialmente se quem viajar na frente precisar de mais espaço, e também tem a desvantagem de ter as costas numa posição demasiado vertical, obrigatória devido à presença do sistema de segurança em caso de capotamento, instalado imediatamente atrás dos assentos traseiros.

Quanto à motorização, a sigla 220d traduz-se no mesmo bloco de dois litros que equipa as versões diesel mais potentes da gama, numa vertente de 194 cavalos, e numa clara alternativa ao motor diesel mais compacto que não é assim tão mais barato. Esta opção peca apenas por ser mais ruidosa do que o desejado, o que se nota ainda mais por termos uma capota de lona, mas compensa com médias de consumo muito comedidas e que conseguem levar a autonomia máxima a valores acima dos mil quilómetros.

As médias indicadas pelo computador de bordo ficam facilmente em torno dos seis litros, mas numa estrada de montanha e com um ritmo mais provocador de um sorriso ao volante, também é possível manter o valor abaixo dos oito litros. Preferencialmente, deixando a caixa automática de nove relações fazer o seu trabalho no modo mais confortável ou no mais desportivo, em vez de sermos nós a decidir a melhor altura para as trocas de relação.

Com cerca de dez mil euros em opcionais, é fácil adivinhar que o preço final deste modelo não vai ser dos mais convidativos, até porque o valor base já se encontra acima dos 60 mil euros. Claro que todos sabemos que um descapotável é um daqueles luxos em que temos mesmo de deixar a emoção falar um pouco mais alto do que a razão, mas não conseguimos evitar um suspiro meio triste quando os nossos olhos encaram os mais de 72.500 euros que custa a unidade ensaiada.

VEREDICTO

Passar uns dias com um descapotável é algo que vamos sempre querer repetir, ainda que o seu custo seja algo impossível de pôr de parte. No caso deste C220d Cabrio podemos contar com uma excelente experiência a céu aberto, com um nível de conforto elevado e com uma motorização diesel de autonomia considerável e que nos permite passar algum tempo sem visitar uma estação de serviço.

Texto e imagens. André Mendes

FICHA TÉCNICA

Mercedes-Benz C220d Cabriolet

MOTOR: 4 cilindros em linha; injeção direta com turbo; Cilindrada (cm3): 1.951; Potência máxima (cv/rpm): 194/3.800; Binário máximo (Nm/rpm): 400/1.600-2.800;
TRANSMISSÃO: Tração traseira; Caixa automática 9G-Tronic de 9 relações; Suspensão (fr./tr.): Independente, multibraços; Independente, multibraços;
DIMENSÕES: Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.686/1.810/1.409; Distância entre eixos (mm): 2.840; Largura de vias (fr./tr.) (mm): 1.567/1.551; Travões (fr./tr.) Discos ventilados/Discos ventilados; Peso (kg): 1.785; Capacidade da bagageira (l): 360 (285 com a capota aberta); Depósito de combustível (l): 48; Pneus (fr./tr.): 225/40 ZR19;
PRESTAÇÕES: Aceleração de 0-100 km/h (s) 7,5; velocidade máxima (km/h) 233;
CONSUMOS: Urbano/Extra-urbano/Combinado (l/100 km): 5,2/4,5/4,8; Emissões de CO2 (g/km) 126;

PREÇO (versão base): 61.400 euros
PREÇO (unidade ensaiada): 72.527 euros



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