#Ensaio – Jaguar I-PACE: O primeiro elétrico da marca

Texto de Jorge Farromba

Isto porque ensaiar o primeiro elétrico da marca e ainda por cima com 400 quilómetros reais de autonomia é sempre agradável poder desfrutar de vários cenários num País tão grandioso como o nosso. Mesmo assim, conseguimos!

A primeira impressão que se fica ainda no parque de imprensa do importador recai na elegância do SUV – curiosamente uma aposta da marca, não no segmento mais tradicional, mas no segmento da moda e em crescimento – com um baixo centro de gravidade que, veremos mais à frente, traz bastante benefícios.

A estética é de facto algo fundamental pois é esta que absorve os primeiros entusiastas da marca para este elétrico mas, também, futuros potenciais clientes. E, neste capítulo, a marca está de parabéns dado que existe algo do Jaguar clássico (o familiar) na dianteira, (com um defletor que, partindo da grelha se prolonga pelo capot por baixo da chapa para melhorar a aerodinâmica), com uma zona lateral esculpida de modo a transparecer um coupé e que termina num meio-volume traseiro, novamente com o traço Jaguar (e do designer Ian Callum – o designer escocês que trabalhou a Ford (Fiesta, Mondeo, Escort Rs Cosworth), TWR; Aston Martin DB7, DB9, Vantage ou o Vanquish e depois com a Jaguar com (XF, XJ, F-PACE e tantos outros).

E esta é a primeira vitória da Jaguar – a estética exterior – agora que a marca pertence à TATA. Ah! Faltava evidenciar os puxadores das portas que se destacam quando clicamos na porta ou no comando para a abrir.

Interiormente a marca apostou num design clássico e intemporal – nada de muitas linhas angulosas, mas simplicidade e pureza. Um tablier que inclui – e bem – o user-friendly sistema de infotainment – preciso e com a incorporação da maioria das funcionalidades do I-PACE. Tablier com materiais moles e composto por três partes, com grande qualidade de montagem e construção. Painel de instrumentos digital, simples e intuitivo.

Na consola central surge aquela que, em minha opinião é a peça marcante do interior – a consola central. Esteticamente apelativa na forma e no design, incorpora os botões da climatização individual (cada botão regula a temperatura e “puxando o mesmo” aumenta ou diminui a intensidade da ventoinha).

Do lado esquerdo incorpora os botões para o modo de condução (D,N,R) e o P (Park) e do lado direito para os vários modos de condução. Dentro desta peça, amplo espaço para objetos (que podia ser mais fundo e com um material que sustentasse melhor os objectos) e, junto ao apoio de braços (de grande capacidade) mais espaços. Cativados pela peça de design até nos esquecemos da ergonomia. Mas talvez porque nada existe a dizer, seja na forma e conforto dos bancos, do volante e da sua pega e mesmo do espaço anterior.

Existe algo que por vezes não conseguimos transparecer nos ensaios – os cheiros a bordo – e o Jaguar, como todos os outros veículos, tem esse odor característico da marca que advém da pele utilizada (macia) que se sente assim que se abre a porta.

Tudo muito bonito por dentro e por fora mas como é que se comporta em estrada?

Utilizando somente três dos quatro modos de condução (Eco, Confort e Dinâmico) – o de neve, chuva e gelo não foi testado – verificamos, como seria expetável, maior dinamismo no último. Sente-se que temos ali 400 CV, mas a entrega de potência não se faz com a rapidez da Tesla, o que não é uma crítica.

E, se no início referíamos a importância do baixo centro de gravidade, é aqui que ele se manifesta. A condução em autoestrada é, como expetável, de bom nível mas é na estrada com curvas encadeadas que vem ao de cima este “detalhe” do centro de gravidade.

O I-PACE AWD (4 rodas motrizes) entra e sai imperturbável das curvas, a direção é precisa, assim como a travagem, mas sobretudo a transferência de massas não se faz sentir – referimo-nos à sensação desconfortável de nos sentirmos demasiado altos nalguns SUV e no adornamento da carroçaria.

Neste SUV, nada disso acontece, pois comporta-se como um típico familiar. E esse não é um detalhe mas um fator muito importante. O rigor e confiança que nos dá na entrada e saída de curvas é de alto nível.

Adicionemos a esta equação a suspensão, onde a opcional suspensão pneumática ativa do I‑PACE “rebaixa automaticamente o veículo 10 mm ao conduzir a velocidades superiores a 105 km/h durante períodos de tempo prolongados” que, em conjunto com o Sistema Dinâmico Adaptativo que “analisa constantemente a aceleração, direção, utilização dos pedais do acelerador e travão e ajusta os amortecedores com controlo eletrónico para otimizar as configurações da suspensão, proporcionando o equilíbrio ideal entre conforto, prazer de condução e agilidade em todos os momentos” e que faz de facto a diferença, tanto no conforto elevado como no comportamento.

Em termos de autonomia, conseguimos efetuar cerca 400 quilómetros mas o ritmo de condução foi calmo, devido às condições de tráfego nos percursos utilizados.

Numa viatura que tem um preço ligeiramente superior a 80.000€ onde podemos incluir vários opcionais, referir que o que mais sobressai é a qualidade de montagem e construção, conforto e comportamento, além do apelativo desenho.

Podemos concluir que a incursão da marca neste mercado foi uma boa aposta, num produto que, como todos os outros, tem margem de evolução.



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