Covid-19: Taxa de suicídio entre mulheres japonesas aumenta com a pandemia

A pandemia no Japão foi acompanhada por um aumento preocupante do número de suicídios entre as mulheres: no ano passado houve 6.976 suicídios de mulheres no país, quase 15% a mais do que em 2019. Foi o primeiro aumento anual desde há mais de dez anos, como revela o New York Times.

A publicação nova-iorquina relembra que “o crescimento deste fenómeno registou-se sobretudo em sete meses consecutivos do ano passado, desencadeando um alerta num país que tem um dos maiores índices de suicídio do mundo”.

Embora “mais homens do que mulheres se tenham suicidado no ano passado, desde 2019 a taxa de crescimento entre anos, no caso masculino, não é tão elevada como a que se regista no caso do sexo feminino”. Em geral, os suicídios aumentaram menos de 4% no ano passado.

O jornal refere que “o facto de as mulheres serem vistas como as ‘principais cuidadoras’, num país que ocupa o 121.º lugar na tabela da igualdade de género, a pior classificação entre países desenvolvidos, gerou um aumento da pressão social sobre o sexo feminino”.

“As mulheres carregam o fardo da prevenção do vírus”, afirmou Yuki Nishimura, diretora da Associação Japonesa de Serviços de Saúde Mental, citada pela imprensa norte-americana. “As mulheres têm de cuidar da saúde e da limpeza dos seus lares e das suas famílias, podendo ser desprezadas se não o fizerem do modo mais correto”, confessou Nishimura.

“Infelizmente, a tendência atual é para culpar a vítima”, concluiu Michiko Ueda , professora associada de Ciência Política da Universidade Waseda em Tóquio e autora de vários estudos sobre o suicídio no Japão. No ano passado, Ueda revelou, através de uma sondagem, citada pelo NYT, que “40% das mulheres inquiridas estão mais preocupadas com a pressão social do que com os efeitos que a covid-19 pode trazer à sua saúde, caso sejam infetadas com o vírus”.

A professora de Universidade de Waseda lembrou ainda que “o facto de várias estrelas japonesas do cinema e da televisão terem posto fim à sua vida no ano passado também pode ter sido um incentivo”, deixando o exemplo de que, “após a morte de Yuko Takeuchi [famosa atriz que tinha 40 anos], no final de setembro, o número de mulheres que cometeram suicídio no mês seguinte cresceu cerca de 90% em comparação com o ano anterior”.





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