Só nos primeiros seis meses deste ano, 277 enfermeiros já pediram para sair de Portugal. “Não é com palmas e louvores que resolvemos problemas”, adverte Bastonária

Em 2020, em pleno ano de pandemia, emigraram 1.230 enfermeiros de Portugal, informou a Ordem dos Enfermeiros (OE), contactada pela Multinews.

Só nos primeiros seis meses deste ano, “277 profissionais já solicitaram à Ordem dos Enfermeiros, declarações para este efeito”, acrescenta a mesma organização.

Já em 2019, mais de quatro mil enfermeiros solicitaram o mesmo documento, um número que se manteria em 2020, se não fosse “a pandemia e o confinamento”, como explica OE.

Em declarações à Multinews, Ana Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, denuncia que, em Portugal, estes profissionais de saúde “não têm uma carreira e continuam a ganhar menos de mil euros, com um, 10 ou 20 anos de profissão”.

“A pandemia mostrou que é preciso fixar enfermeiros em Portugal. Nós não temos um problema de formação, temos um problema de contratação”, acrescenta a Bastonária.

“Formamos enfermeiros para exportar. Lá fora, cuidam de Chefes de Estado e de Governo, e são destacados por isso. Cá são ignorados pelo poder político”, lembra Ana Cavaco, recordando a história de Luís Pitarma, de 29 anos, um enfermeiro que nasceu em Aveiro e vive em Londres desde 2013, tendo sido um dos profissionais que acompanhou, em abril, Boris Johnson, nos cuidados intensivos do Hospital St Thomas’s, depois de o primeiro-ministro britânico ter contraído Covid-19.

“Não é com palmas e louvores que resolvemos os problemas. Os enfermeiros precisam de ter uma remuneração digna e não podem continuar a reformar-se aos 66 anos”, sublinha a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

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