As finanças de Trump vão ser reveladas. O que está em causa?

Uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA, divulgada ontem, negou o recurso de Donald Trump, permitindo assim ao Ministério Público adquirir terabytes de dados financeiros e fiscais de oito anos da vida do ex-Presidente. O New York Times, que tem realizado uma investigação independente, oferece algumas respostas sobre os próximos passos do processo, depois de consultar vários especialistas.

A próxima fase da investigação da Procuradoria de Manhattan começará esta semana, quando “os investigadores às ordens do procurador que cuida do caso, Cyrus Vance, se deslocarem ao escritório da Mazars USA, onde está grande parte da contabilidade pública (e portanto não offshore) de Donald Trump, solicitando os dossiers com os vários anos anos de vida fiscal e financeira do ex-Presidente”.

De seguida, o Ministério Público, auxiliado por peritos financeiros, irá “avaliar perante o leque de crimes possíveis, quais e onde se encaixam as últimas ilicitudes cometidas por Trump”. A investigação do jornal norte-americano sugere “fraudes fiscal, na área dos seguros e bancária”.

Vance irá, de seguida, “colocar questões e enviar cartas rogatórias para aceder a mais dados e testemunhas como altos funcionários do ex-ocupante da Casa Branca, os principais credores de Donald Trump e o alvo principal: o Deutsche Bank”, um dos principais parceiros e fiel depositário do ex-Presidente e que “fez de tudo para se afastar deste, depois da invasão ao Capitólio a 6 de janeiro”, como revelou na altura o Washington Post.

Núcleo da acusação

Apesar de a acusação ainda ser confidencial, o diário norte-americano indica que “a principal matéria de facto diz respeito a situações de fraude fiscal e financeira realizadas a partir das propriedades de Donald Trump: com o seu valor inflacionado ilegalmente, para que o ex-Presidente conseguisse avultados empréstimos, ou, por vezes passados meses, subestimadas financeiramente para que Trump não tivesse de pagar impostos elevados sobre imóveis”.

O Ministério Púbico vai ainda “analisar as comunicações entre a Trump Organization e as suas seguradoras para perceber se se confirma a suspeita de fraude sobre o valor de vários ativos”, acrescenta o New York Times.

Vance intimou ainda a Trump Organization e pediu registos sobre “impostos relacionados com honorários de consultoria, alguns dos quais atribuídos à filha mais velha do ex-Presidente, Ivanka Trump”, como revela o NYT. O Washington Post indica que “a família Trump entregou diversos documentos no mês passado”.

O que não ficou evidente para já é se, “além do ex-Presidente, os dois filhos, Donald Trump Jr. e Eric Trump, ou os seus executivos irão também ser alvos de acusação formal”.

Demasiadas tarefas para um homem só

Segundo a imprensa norte-americana, no início deste mês, Vance recrutou um jurista com prestígio e magistrado aposentado, Mark F. Pomerantz , para ajudar na investigação. Pomerantz irá “organizar os vários assuntos do caso e aplicar a sua experiência em crimes de colarinho branco para redigir uma moldura criminal que será parte da acusação”.

Para avaliar as fraudes diretamente relacionadas com as propriedades de Trump, Vance recrutou a FTI, uma grande consultora imóvel, segundo revelou na semana passada o NYT.





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