VUCA ou BANI?

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

E de repente tudo muda. Essa é a única certeza do mundo, que tudo muda. Na sociedade, na economia, nas empresas e agora até na política. O final da guerra fria e a tecnologia geraram um mundo VUCA (em Português : volátil, incerto, complexo e ambíguo) que agora evolui para o BANI (em Português também: frágil, ansioso, não linear e incompreensível). Fruto da globalização, quantidade de informação, digitalização, fake news e desinformação, redes sociais, falta de referências sociais e efeito borboleta (designação de Edward Lorenz quando falava de eventos meteorológicos, de forma simples explicou que “o simples bater de asas de uma borboleta no Brasil pode ocasionar um tornado no Texas”) como se viu com o Covid19. Portanto estar preparado e incluir este acrónimo no nosso processo de decisão individual e colectivo, é fundamental! É o que pretendo sensibilizar aqui.

As organizações são compostas por 3 P’s: Produtos, Processos e Pessoas. E o mundo BANI interfere com as três. Portanto no conjunto de soluções para minimizar o impacto desta incerteza, encontramos muitas que já existem. Julgo que a palavra chave é “integração” e criar empresas  integrativas. 

Integração de novos produtos e outros clusters de negócio alinhados com a missão e cultura da organização. Integrando os potenciais clientes no desenho dos mesmos com ferramentas de crowdsourcing e benchmark. E claro está, Produtos que se integrem numa gestão que respeite o modelo ESG (environment, social e governance). A não linearidade é ultrapassa pois envolvemos todos os stakeholders. 

Integração de novos processos como o Big data e inteligência artificial para suportar cenários de previsão de um mundo que não se compreende. Bem como Redes de colaboração fora e dentro das empresas, gestão de projectos, atração e retenção do talento, novas formas de emprego, desenvolvimento de sift skills. 

Finalmente as pessoas, pois num mundo ansioso as pessoas estão mais preocupadas com bem estar colectivo pois disso depende o seu bem estar individual. O burnout e a ansiedade são problemas reais nos dias de hoje. Pelo que na Missão e cultura da organização têm de estar integrados 2 valores : confiança e credibilidade na mesma. As pessoas têm de estar no centro pois são o “asset” mais valioso das mesmas organizações, as que mais valor trazem para dentro. Torna-se imperioso portanto,  prepará-las para desenvolver soft skills como resiliência, adaptação á mudança, foco, capacidade de tomada de decisões. Pelo que o próprio processo de seleção e recrutamento tem de mudar. Assim conseguimos diminuir muita da ansiedade que a incerteza e não linearidade estão a gerar.

A liderança tem aqui uma oportunidade única: tornar compreensível um mundo difícil de antecipar e definir a estratégia para se adaptar e beneficiar das mudanças (que pessoas quero na minha organização, por exemplo). Terá de ser uma liderança integrativa e transformational, sem rigidez hierárquica mas “de porta aberta” e adaptativa, ou seja: sorri quando as coisas não estão bem de forma a tranquilizar a organização (e começa a trabalhar na solução); pressiona quando as coisas estão a correr bem de forma a impedir rotinas e falta de foco (começando a antecipar e a trabalhar no novo ciclo futuro que será certamente menos bom).

Como sempre, “em tempos de crise, muitos choram e outros vendem lenços de papel”!

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