Veni, vidi, vici

Por Nuno España, Gestor

De zero a herói. No passado dia 28 de Setembro, atingimos 85% da população vacinada. Somos atualmente o pais com a maior taxa de população residente com a vacina completa em todo o mundo. Estamos na boca do mundo, como exemplo a seguir.

Independentemente de tudo o que possa ser dito, todos reconhecemos surpresa ao constatar que Portugal, contra tudo e contra todos e contra o natural rumo das coisas, atingiu o patamar e os objectivos a que se propôs.

Numa primeira fase, quando ninguém sabia muito bem como endereçar o assunto, foi decidido avançar com o processo de vacinação à boa maneira portuguesa, colocando um politico conhecido a liderar o tema. O processo arrancou e cedo começaram as duvidas e questões. Rapidamente se acenderam os holofotes, pelos piores motivos. Diariamente surgiram noticias de privilegiados/prioritários – desde colaboradores de cafés a maridos de diretores clínicos de centros de saúde. A gota de água foi este politico decidir gerir as vacinas como se fossem dele, e desrespeitando todas as regras definidas, dar prioridade ao hospital privado, do qual era presidente.

Felizmente os poderes institucionais depressa entenderam que a solução não passava por aqui e, de forma inesperada mas assertiva, decidiram mudar de estratégia.  Para uma verdadeira guerra contra um vírus, que, apenas em Portugal, matou mais de 18 mil pessoas, foi preciso chamar os militares, habituados a gerir grandes massas, os verdadeiros mestres da tática e logística.

O vice-almirante Gouveia e Melo, sempre vestido de camuflado e representando e apoiado pelos três ramos das Forças Armadas, foi o rosto da campanha de vacinação durante oito meses. Surpreendeu os portugueses por ser uma pessoa que vai direta ao assunto, sem rodeios, mostrando confiança nas suas declarações.

Várias foram as dúvidas levantadas, mas o povo português, desconfiado mas brando, decidiu esperar e ver o que dava, constantemente à espera da falha e das polemicas, que nunca chegaram a surgir… Contra tudo e todos, a vacinação entrou em velocidade cruzeiro. Assim como a satisfação crescente da população. As prioridades foram respeitadas, os timings cumpridos e a experiência de quem era vacinado era inesperadamente boa.

O vice almirante deixou-nos inúmeras lições mas sobretudo deixou-nos uma mensagem de esperança e fé. Entre várias coisas, mostrou-nos que é possível fazer as coisas bem feitas (mesmo que a nível de temas do Governo). Assumiu que estava numa guerra e, como tal, lutou como nunca, porque não há vidas insignificantes. Perante as falhas, assumiu-as sempre como do próprio, mas as vitórias eram de todos menos dele. Como submarinista que é, viveu na sombra mas não deixou de dar sempre a cara e garantir que explicava as coisas e comunicava o máximo possível. Com a mesma humildade e simplicidade com que entrou, assim que atingiu o objetivo de ter 85% da população vacinada, saiu.

Sempre reconheceu que foi um trabalho de equipa e, por isso, todos os prémios que tem ganho, tem entregue a várias instituições de saúde. Mostrou-nos como as Forças Armadas, dadas as características que têm, podem e devem ter um papel muito relevante no crescimento e desenvolvimento de Portugal. Seja a nível da prevenção nas florestas, passando pelo apoio em situações de catástrofe mas também na gestão e acompanhamento de processos complexos como este.

Obrigado Vice almirante Gouveia e Melo pelo trabalho realizado, mas sobretudo pelo exemplo que nos deixa e que devemos torna-lo vivo em tudo o que fazemos.

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