Uma notícia que fica para a história de Portugal e que poucos sabem

Por Nuno España, Gestor

Quando comecei a trabalhar em 2005, o crescimento era a palavra de ordem. Crescer era (quase) o foco exclusivo e, muitas vezes, o indicador de referência do desempenho das organizações e das sociedades.

Com a crise financeira de 2008/2009, rapidamente entendemos que, mais que o crescimento, era fundamental o desenvolvimento e isso significava ser-se sustentável a longo prazo, desenvolvendo as pessoas e os negócios.

Atualmente usamos o termo da sustentabilidade para tudo e para nada. No entanto, não deixa de ser bom. Coloca o desempenho das organizações num novo patamar e acaba por impactar todos os intervenientes no ecossistema e áreas de atuação, seja ela social, ambiental ou económico-financeira.

No fim de novembro, assistimos (ainda que sem grande mediatismo) a um momento histórico para Portugal e para o seu sistema elétrico. A central a carvão do Pego, em Abrantes, deixou de produzir eletricidade. Com isso, entrámos num novo capítulo da história da energia em Portugal.

A central a carvão do Pego funcionava desde 1993, ao abrigo de um contrato de aquisição de energia, que garantia à Trustenergy (acionista da Tejo Energia), até 2021, a venda de toda eletricidade para a rede, com uma fatura anual de 100 milhões de euros, que recaiam sobre os portugueses.

A partir de agora e de acordo com as novas tendências, mas sobretudo com a nossa ambição – que sempre foi grande nesta área da energia renovável -, o nosso sistema elétrico fica apenas dependente e como forma de resposta a eventuais necessidades não satisfeitas pela energia produzida por origem renovável, às centrais de ciclo combinado alimentadas a gás natural, que poluem menos de metade que as centrais de carvão.

É verdade que o futuro é incerto, mas o Governo antecipou o desafio e já lançou concurso para a reconversão desta termoelétrica, onde estará garantida a produção de energia apenas de fontes renováveis. Na corrida está a Trustenergy, que defende a reconversão para a queima de biomassa, e a Endesa, que propõe um projeto de energia solar e hidrogénio verde.

Numa fase de elevada incerteza e onde temos oportunidade de repensar o conceito de sucesso das organizações e sociedades, acredito que estamos no momento adequado para endereçar o tema da sustentabilidade como deve e merece ser endereçado, para bem de todos nós. Se o fizermos bem, não tenho dúvidas que deixaremos um mundo bem melhor para os nossos filhos e netos. Uma notícia destas só nos pode deixar muito felizes, com a sensação de que estamos no caminho certo.

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