Semáforos

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais

Como é sabido, a União Europeia chegou a acordo sobre uma linha comum de atuação para as restrições à livre circulação, algo esperado por toda a Indústria do Turismo, visto por todos como uma boia de salvação, para um verão que muitos dizem perdido.

A verdade é que temos uma nova realidade, uma realidade a que todos estamos sujeitos, limitada a uma paleta de cores. Ao dia de hoje, são os semáforos que passaram a controlar a nossa vida e consequentemente a nossa economia.

A União Europeia a 27, acrescido da Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, criou o sistema de semáforos de acordo com a respetiva situação epidemiológica, facultando aos viajantes os dados mais recentes e todas as informações pormenorizadas sobre as restrições e as regras especiais em vigor em cada estado, tais como, os requisitos em matéria de quarentena e de realização de testes.

Por cá, os Centros de Vacinação, também já têm semáforos, estes benéficos para a organização da nossa vida, implementados para evitar aglomerações e as longas filas nos centros de vacinação, medida necessária e expectável, devido ao já esperado e fundamental aumento do ritmo do processo de vacinação.

No vaivém da escolha de cores, baseada numa matriz que tem e deve ser retificada, devido ao elevado números de vacinados no nosso país, a França, a Alemanha e o Reino Unido (grandes responsáveis pela emissão de turistas para Portugal), continuam em constantes alternâncias e avisos às suas populações sobre o nosso País.

A esquizofrenia é tal e a desarticulação entre estados-membros é tanta, que o Governo francês aconselhou os seus a não viajarem para Portugal por causa da variante delta, declarações feitas recentemente pelo secretário de Estado dos transportes francês, dias depois da Alemanha informar o desagravamento das medidas impostas a Portugal.

As boas notícias vêm desta feita de terras de sua Majestade e a partir de 19 de julho, os residentes britânicos completamente vacinados pelo sistema de vacinação inglês que regressem ao Reino Unido de um país da lista âmbar, como é o caso de Portugal, não terão de fazer quarentena de 10 dias à chegada. Esta medida é também aplicável aos menores de 18 anos. Eis algum alento para o turismo em Portugal, dada a importância deste mercado (que conta com mais de 34 M de adultos com vacinação completa) para o nosso país.

Tenho vindo a defender uma maior pressão por parte do Governo português junto dos principais países emissores de turistas para Portugal. A diplomacia, é hoje mais importante que nunca, num país que se vê a braços com uma indústria a definhar.

Os operadores turísticos, os organizadores de eventos, a restauração e a hotelaria estão ligados a um ventilador, numa época alta que vai já a meio e com previsões catastróficas para uma época baixa que se avizinha.

Naturalmente, que as medidas extraordinárias de apoio aos trabalhadores e às empresas anunciadas pelo governo são benéficas, mas não vão ser suficientes para a sobrevivência de toda uma indústria que se encontra quase parada desde o primeiro trimestre de 2020.

O cenário atual é muito preocupante e se não conseguirmos uniformizar de uma vez por todas os diversos semáforos desta europa, que fala constantemente a diferentes vozes e ritmos, usando conforme entende a sua paleta de cores, corremos o risco de perder ainda mais empregos e empresas.

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