Os 5 P’s dos negócios no pós pandemia

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

A pandemia, a inflação , a guerra e a volatilidade financeira estão a mudar o mundo.
Antes todos afirmávamos que este cenário era conjuntural e todos iríamos descer crescer, mas isso afinal não é verdade. Pelo que as organizações têm de ter novos KPIs, novas variáveis que permitam potenciar os resultados. As variáveis São 5 P’s quando antes eram 3. Nada de novo excepto que passámos a analisar melhor algumas variáveis que antes eram “commodities” para os líderes das organizações. E a liderança é cada vez mais um elemento diferenciador e deve ser P.O.L.C.I.. Vamos portanto analisar as 5 variáveis que são representadas por 5 P’s:

Em primeiro lugar, os “Produtos” que são certamente a variável que mais identifica e posiciona uma organização. A inovação útil e pretendida pelos clientes é o objectivo de qualquer um mas não é fácil. No entanto podemos inspirar (como líderes) uma organização a ser inovadora. Tem pelo menos que ser diferenciadora.

O segundo “P” representa os “Processos” que são provavelmente a área onde os líderes mais investiram para tornar as organizações mais ágeis e eficientes neste período. A tecnologia permitiu isso. Mas os processos devem ser integradores e não deixar nenhum colaborador de fora, nomeadamente os que não dominam a tecnologia. A melhoria de processos pode levar a poupanças enormes e a potenciar resultados de forma única mas a organização deve ser preparada, treinada e acompanhada. Os processos devem ser “KISS” (Keep simple and stupid) e devemos torná-los visíveis para que todos trabalhem com as mesmas ferramentas e se obtenham ganhos de eficiência. Os processos são um meio, não um fim em si mesmo.

Em terceiro lugar as “Pessoas”, a variável mais crítica de qualquer organização e que podem converter algo (produto ou processo) num sucesso ou insucesso. O segredo de um líder P.OLC.I. é ser justo, transparente, ético, estruturado, previsível, equilibrado… quando tudo corre bem deve ser disruptivo e demonstrar insatisfação para impedir que a rotina se instale. Quando os resultados correm mal deve mostrar insatisfação mas tranquilidade para permitir que os colaboradores racionalizem e impeça o pânico na organização. Em suma, algo que todos conhecem mas que por vezes pouco valorizam, as Pessoas são um elemento fundamental de qualquer organização.

O quarto “P” é a “Performance” ou o desempenho. Bem sei que todos vão dizer que esta sempre foi uma variável fundamental na estratégia das organizações, mas sempre pouco relevada isoladamente. Era na maior parte entendida como consequência da inovação nos produtos ou processos, do “share of voice”, do investimento de marketing, da redução de custos de produção ou transporte, entre outros. Agora não, a “performance” tem a ver com estratégia adequada, com foco e eficiência, num mundo com menos recursos. Podemos medir a performance pelo lucro, vendas comparadas com o budget, quota de mercado, número de clientes conquistados, etc, etc… mas também pode ser vista como uma proeza e uma realização quando positiva, ou um fracasso quando negativa.

Finalmente o “Profit” que sempre foi fundamental e agora cada vez mais. O custo do dinheiro aumentou, e o “profit” é fundamental para gerar “cash flow” pois o dinheiro deixou “de ser barato” e de existir em grandes quantidades. A subida das taxas de juro para controlar a inflação tornou esta variável bastante relevante. E em paralelo o reinvestimento do “profit” nos capitais próprios da organização, tornando-a resiliente e imune às mudanças a que assistimos, nomeadamente a blocalização. Os estados deveriam valorizar mais fiscalmente este reinvestimento nas organizações dos lucros obtidos.

As organizações, o mercado, as pessoas, os clientes, as suas necessidades, os processos produtivos, as cadeias logísticas… tudo está a mudar e a resiliência e conhecimento dos líderes será fundamental para atingir o sucesso que as organizações pretendem. Seja um líder P.O.L.C.I. !

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