O Penso rápido!

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

O penso rápido é uma invenção fantástica que permite limpar uma ferida ou sutura (por norma um dispositivo para uma situação aguda). Mas também podemos pensar neste como uma expressão ligada ao pensamento, ou seja de “pensar rápido” como forma de análise e decisão. As decisões políticas (de todos os partidos) parecem-me decisões estilo “penso rápido” para resolver um problema crónico (e não agudo), mas também do estilo “penso rápido” na solução sem pensar nas implicações. Os partidos que criticam a precariedade do emprego e a falta de estabilidade dos trabalhadores, estão agora com o seu “penso rápido” a despedir trabalhadores pois perderam deputados e portanto perderam financiamento (como numa empresa).
O aeroporto de Lisboa com mais de 50 anos de discussão, tem uma solução “penso rápido” em formato de despacho, mas que afinal não foi decisão. O valor das horas extraordinárias dos médicos nas urgências foi aumentado, mas tem uma cláusula travão (o total do valor de horas pagas em 2019 por hospital), valor de cláusula esse já ultrapassado em 2022, pelo que os hospitais têm autonomia mas não têm capacidade ou autorização para pagar. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa que deixa as ruas da cidade cheias de lixo e diz que está a recrutar 120 cantoneiros (????) e pede aos Lisboetas para produzirem menos lixo. As esquadras de polícia que fecham porque não têm recursos humanos em determinados horários; mesmo tendo o maior índice de polícias por 100.000 habitantes da Europa, portanto a solução “penso rápido” é abrir esquadras móveis (que também precisam de recursos humanos).
O Orçamento de estado está com um excedente orçamental de 1.113 milhões de euros pois está a ganhar com a inflação ao cobrar mais impostos (o IVA por exemplo mas também o IRC que cresceu +231,1% no semestre) mas não sabe se reduz a dívida pública ou apoia os mais afectados pela inflação (ou ambas), pelo que entretanto vai arrecadando. O aeroporto de Lisboa está sobrelotado e não consegue responder aos passageiros que por aí passam mas vemos o anúncio de uma companhia low-cost criar 13 novas rotas a partir de Lisboa, usadas depois de ganhar 18 slots que a TAP disponibilizou. E por aí fora…
O nosso problema talvez seja falta de estratégia, organização, liderança, meritocracia e “accountability”. Pois os recursos existem, basta tomar decisões sustentáveis para problemas crónicos e não aplicar “pensos rápidos”!

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