“O mundo em que vivemos é demasiado frágil, incapaz e periclitante” (mas há esperança)

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais.

A frase foi dita por Dominique de Villepin nas Conferências do Estoril em 2011 e não podia ser mais atual.

A pandemia que atravessamos mostrou o pior da gestão, mostrou o que muitos já previam (mas que nada fizeram para antecipar), mostrou que somos frágeis, mostrou que fomos muitas vezes incapazes e que demoramos a aprender, e pior… mostrou igualmente que continuamos a falhar. Mostrou ainda que a tão almejada imunidade de grupo dificilmente será uma realidade no ano de 2021, o que, para o turismo, fará provavelmente deste ano um ano ainda pior que o ano de 2020.

A situação continua hoje, como em 2011, periclitante, em risco de, para além de uma crise económica, termos uma crise sanitária. Corremos o risco de nem os fortes sobreviverem.

Tenhamos todos consciência de que, se não existirem empresas ligadas ao turismo, dificilmente existirá retoma turística. Mas há esperança.

A pressão é enorme a todos os níveis e o setor do Turismo, um dos grandes motores da economia, provavelmente o mais afetado, com números de turistas ao nível de 1994, com receitas similares aos números de 2011, corre o risco de uma transformação profunda… Mas há esperança e existem inúmeras oportunidades!

Acredito piamente numa retoma mais rápida do que as melhores previsões. Acredito que Portugal tem características que farão do nosso país um dos grandes beneficiados no pós-pandemia, acredito que a nossa situação geográfica, a forma como Portugal é visto e percecionado, a vantagem de ser um destino costeiro e sustentável, assim como a ideia de um destino de menor pressão turística, fazem do nosso país um sério candidato a ser um dos primeiros a retomar aos números do passado.

No turismo de lazer a tendência internacional passará pela procura de destinos mais sustentáveis e responsáveis. Veja-se o resultado de um estudo recente feito no Reino Unido: 32% dos inquiridos procuram destinos perto da natureza, 72% privilegiam destinos em que o dinheiro gasto beneficie a comunidade local e 65% querem conhecer uma cultura diferente. Existem aqui claras oportunidades.

Também no turismo de negócios, quase parado desde março de 2020, existem inúmeras oportunidades como consequência de uma alteração profunda deste setor. O turismo de negócios fez uma inversão total para eventos digitais, mas os eventos mistos (presencial + digital) vão ser a realidade do futuro próximo.  As empresas de turismo de negócios têm de se adaptar rapidamente e de unir esforços, dado que Portugal muito tem a beneficiar com a oportunidade gerada pela diminuição de participantes presenciais, facto esse que aumentará o leque de possibilidades de atrair congressos ao nosso país, que outrora não conseguíamos captar, por via da sua dimensão.

O famigerado passaporte de saúde carece de rápida implementação a nível global, dado que existe já uma parte da população mundial que está vacinada. Celeridade e implementação imediata é exigida aos diversos governos. Os que comprovadamente estão vacinados têm de ter a liberdade de circulação. Cooperação é exigida por todos os que trabalham no setor.

Acredito que o mundo em que vamos viver será mais forte, mais capaz e menos periclitante.

Os desafios são grandes, mas há esperança.

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