O Diretor de Pessoas tem oportunidade de chegar a administrador executivo da empresa?

Por Pedro Fontes Falcão, gestor e professor convidado do Iscte-IUL

Várias vezes se vê questionar se um/a Diretor/a de Pessoas/Recursos Humanos (“DRH”) consegue obter um assento na Comissão Executiva com a mesma probabilidade que outra/o diretor/a da empresa.

Na minha visão, a resposta pode ser não ou sim, dependendo da definição de “assento” que estivermos a usar.

Se “assento” for a capacidade de informar e influenciar decisões chave que são tomadas na comissão executiva, então creio que a resposta começa, com o evoluir do tempo, a ser que sim. Um aspeto chave é a relação da/o DRH com a/o CEO. A proximidade e capacidade de influência da/o DRH sobre a/o CEO será decisiva para aquele ganhar “assento” informal e para que os outros administradores (e colaboradores em geral) se apercebam do valor que a Gestão de Pessoas tem na organização.

Se “assento” for o cargo formal de administrador executivo, creio que a resposta, baseada no histórico, é que não. Embora eu acredite que está a mudar, os estudos mostram que, mesmo assim, ainda se vai mantendo a resposta – não tem a mesma probabilidade. Mas se conseguir um cargo na Comissão Executiva, a/o ex-DRH terá de ter em conta que, assim como com outros, a evolução para o cargo poderá não ser fácil.

Um ponto relevante a ter em conta, é que a/o ex-DRH precisará de conhecer melhor o negócio da empresa. Conhecer o perfil dos colaboradores, as funções que devem desempenhar no papel, os planos de carreira que são definidos, a lógica e discussão da criação de métricas de desempenho, entre outros, são experiências úteis para se conhecer a empresa, mas em vários aspetos não são suficientes. Assim como outros administradores executivos podem ter visões parcelares da empresa (conforme os seus pelouros), a/o ex-DRH também a deverá ter, pelo que importa rapidamente conhecer o negócio de forma mais aprofundada, para ter uma visão mais global da empresa, e ganhar assim mais reconhecimento pelos seus pares.

Mas, embora a/o ex-DRH precise de conhecer melhor o negócio, também os seus colegas de comissão executiva poderão precisar de se tornar melhores a gerir pessoas. A/O ex-DRH pode ter um papel relevante em apoiar a/o CEO e outros administradores a conseguir desenvolver um mindset em que a gestão de pessoas é vista como um processo de negócio crítico, que não deve ser simplesmente “delegado” na direção de RH. O recrutamento, recompensa e retenção de talentos é chave para o sucesso da empresa no longo prazo.

Este tema poderá ser ainda mais aprofundado (destaco o livro de Lance Wright), especialmente em relação à forma como ela/e deverá “navegar” na Comissão Executiva, como deverá gerir a relação com a/o CEO, entre outros, pois creio que nos próximos anos, muitos mais Diretores de Pessoas passarão a ter o cargo de administradores executivos.

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