Nunca discutas com um estúpido, um imberbe ou um cínico!

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Certamente ele vai-te ganhar em estupidez, argumentos, experiência, irracionalidade, incongruências, birras… portanto é melhor não discutir; encolher os ombros e seguir em frente talvez seja melhor. E esta conclusão tem uma base científica: a lei da potência. 

A lei de potência representa a conexão entre duas grandezas e pressupõe que uma mudança relativa numa delas produz uma mudança proporcional. Ou seja um estúpido ou imberbe, quando discute, argumenta e discute de forma estúpida e ignorante. O mesmo com o cínico, que te vai dar razão, apenas para confirmar logo que possa, que ele é que tem razão. Ou seja, finja-se de morto, pois um inanimado é algo que esta tripla desconhece. 

Este princípio matemático também determina fenómenos associados a sistemas complexos ao nível económico e do sistema político, em que existe uma relação de grandezas óbvias: quanto maior for a intervenção do estado como prestador em lugar de regulador, maior será o peso (e ineficiência) da administração pública na despesa do estado. 

Nesta relação de potências ideológicas, não há críticas, nem externas e muito mesmos internas. Ou seja aumentar o peso do estado na economia e sociedade é natural e normal. Inclusive propaga-se a diabolização de quem possa pensar de forma diferente, sem respeito de uma cultura democrática. É como discutir com uma das 3 figuras que foquei acima, pois não se discutem ideias mas ideologia. Somos de imediato classificados como neo liberais ou “direitolas”…

Quem pensa que este modelo do estado prestador é o correcto, acredita certamente que está a fazer bem. Por isso aumenta impostos para suportar este “monstro que não pára de crescer”. É necessário aplicar recursos, e como dizia uma deputada da esquerda extrema, “ ir buscar o dinheiro onde existe”. Destruir os ricos em lugar dos pobres, diria eu.

Mas para evoluir necessitamos de crítica construtiva. E por vezes permanente, de forma a destruir verdades absolutas, preconceitos, ideologias básicas, cinismos e estupidez, hábitos adquiridos e a inamovível frase do “sempre fizemos assim”. Portanto o melhor que cada organização tem de ter na sua administração é alguém que questione, queira conhecer o ROI das medidas, seja sempre um profissional deliberado do “contra”. Assim temos sempre o contraditório na decisão, que será ponderada e avaliada. Portanto quando temos a despesa primária do estado (ou seja sem investimento e sem juros, portanto não reprodutiva e rígida) ser de quase 50% da despesa do estado, temos de ficar preocupados.  Significa que no orçamento Geral do estado, quase metade da despesa já está gasta neste tipo de despesas. O governo não pode fazer nada. E esta despesa está a crescer todos os anos, por decisão do governo. Portanto é para aqui que os nossos impostos vão. Os impostos dos 50% de cidadãos que pagam impostos. 

Agora vejamos um caso concreto, em que o contraditório seria bastante útil: um dos objectivos do estado é a digitalização. Este processo deveria reduzir custos na despesa primária, nomeadamente na administração pública. Mas não, aumenta. O que significa que duplicamos esforços e custos… 

Portanto temos de criar um novo Ministério permanente, presente em qualquer governo, de qualquer cor política. O “ministério da destruição da administração pública”. O objectivo deste ministério é questionar qualquer decisão que aumente o peso da administração pública na despesa, solicite soluções alternativas, compare com as melhores práticas doutros países, exija resultados e enquadramento estratégico. Algo que o estado nunca faz. Importa referir que ouvi esta ideia dum Douto economista, e desenvolvi-a pois faz-me sentido. Só assim teremos alguém que nos defenda e aos nossos impostos, das más decisões da gestão da “coisa pública”. E mesmo que a decisão da administração afinal seja positiva, pelo menos foi escrutinada, questionada, contraposta, obrigada a ser fundamentada e a definir o objectivo e a forma de medir o seu resultado. É um crivo de qualidade não ideológico. Portanto senhores decisores, têm aqui uma óptima proposta para poderem tomar melhores decisões, menos ideológicas e que façam de Portugal um país onde queremos viver!

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