Mais do mesmo ou uma Lisboa melhor?

Por Manuel Falcão, www.sfmedia.org

 

Em sete anos de mandato Medina gastou rios de dinheiro em obras de encher o olho, enquanto  deixa uma rede de transporte pior, uma rede de creches inexistente, os bairros sociais mais degradados e o problema da habitação por resolver. Olho para Lisboa e para as próximas autárquicas e só me salta uma pergunta: queremos mais do mesmo ou melhorar de facto a cidade e cuidar dos seus habitantes? Peguemos numa das polémicas que tem servido de nuvem de fumo para ocultar problemas mais fundos. Há dias vi uma observação, muito certeira, no Facebook de José Paulo Baltazar, que aqui reproduzo. Diz ele que poucos temas provocam mais discussão em Lisboa do que as famosas ciclovias de Fernando Medina. E, sublinha, é este o grande truque do presidente da Câmara, colocar a questão como se a opção fosse entre ser a favor ou contra as bicicletas. “Ora, não é verdade – afirma – O problema não são as bicicletas nem as ciclovias. É bom que na cidade haja espaço para quem quer e pode circular de bicicleta. É bom para o ambiente e é bom para as pessoas. O problema é quando as ciclovias são usadas como arma política e por isso são plantadas por toda a cidade. Não para responder a uma necessidade da população, não para cumprir um plano de mobilidade, mas simplesmente como afirmação ideológica: Lisboa é uma cidade verde”.

O raciocínio é evidente e sublinha verdades indesmentíveis: Uma cidade verde não se constrói simplesmente construindo ciclovias ou diminuindo faixas de rodagem. Os carros não desaparecem só porque se lhes inferniza avida. Para diminuir o número de carros a circular é preciso criar alternativas viáveis ao seu uso. Não se constrói uma cidade verde infernizando a vida dos seus habitantes, mas criando opções que lhes permitam de facto o uso mais adequado dos transportes.

A realidade é que Medina não está para esse trabalho. A ele interessa-lhe apenas a narrativa de Lisboa como cidade verde e cosmopolita. Para Medina, Lisboa é o postal de acesso a São Bento. Para isso precisa de “obra” para mostrar e de promessas para anunciar. Mesmo que essas obras não sirvam os lisboetas e mesmo que as promessas não saiam do papel.

Em resumo: Por isso não vale a pena demonizar as ciclovias, porque elas não são o real problema, o problema é Medina e a sua narrativa para a cidade. O resto não existe. São sete anos de mandato onde gastou rios de dinheiro e ao mesmo tempo deixa uma rede de transporte pior, uma rede de creches inexistente, os bairros sociais mais degradados e o problema da habitação por resolver. Mas isso não lhe interessa, porque pode dar entrevistas num Terreiro do Paço muito bonito e ir até ao Colombo de bicicleta.  E finaliza o autor do post do Facebook: “Discutir as ciclovias ou o Hub do Beato é perder tempo. O que é preciso é dizer com clareza: Fernando Medina não se interessa por Lisboa, não se interessa pelos lisboetas, só tem interesse em montar a narrativa que lhe permita suceder a António Costa. E quem paga a fatura são os habitantes de Lisboa, sobretudo aqueles que não entram na ideia de postal de Medina. Por isso está na altura de aliviar Medina do encargo de governar a capital e permitir-lhe ir seguir a sua verdadeira vocação de sucessor de Costa.”

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