LSD

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

A diferença entre os “Business Man” e os “Man of Business”

A economia de mercado num mundo democrático vive de muitos conceitos, mas para mim existem 3 básicos: a Livre iniciativa privada, seriamente regulada e regulamentada pelo estado; a Sociedade, através da meritocracia e do elevador social e empresarial (típico  do pragmatismo existente nas empresas); a Dinâmica da inclusão social não paternalista mas criadora de oportunidades para auto-desenvolvimento. A falta destes milestones cria desigualdade e formas sociais auto-destrutivas, rotinas de expectativas de que o estado só tem obrigações e tudo tem de fazer (mas o Estado somos todos nós) e que inspiram e fundamentam os populismos, nomeadamente os políticos. Estes populismos são bolhas predadoras da mente, que  gritam mensagens populistas que queremos ouvir quando estamos insatisfeitos. Como uma escravatura da mente, pois até sabemos que não está correcto mas faz-nos bem. É uma cegueira negligente. 

Mas mesmos em culturas e sociedades com ambientes menos desenvolvidos, com níveis familiares de educação menos desenvolvidos, conseguimos verificar que existem pessoas que, mesmo assim, têm sucesso no que fazem. O contrário também acontece, mesmo quando toda a nossa sociedade está preparada para corrigir o elevador social, tentando criar oportunidades iguais para todos (através da escola gratuita para todos por exemplo, a taxa de internet social, acesso a cuidados de de saúde gratuitos, sistema fiscal progressivo, apoios e subsídios)… E este modelo não funciona, pois continuamos a ver sucesso e insucesso. Este modelo paternalista, infelizmente “deita-se” com a pobreza e falta de empreendedorismo, obviamente mesmo com o conceito ESG (Ético, social e sustentável e Governance) subjacente. Ajuda mas não resolve, pois o que soluciona (e a genética pode ajudar mas não é o fator crucial) é o processo de aculturação social, a educação que permite a aquisição de conhecimentos, valores, crenças, usos e costumes, hábitos, comportamentos , expectativas equilibradas, respeito pelos outros e pelo mundo em que vivemos. Acima de tudo é um processo de socialização. Por isso a nossa sociedade, depende muito do modelo de educação dos nossos cidadãos. Em casa, na Escola, no nosso grupo, na comunicação social, na nossa comunidade. A educação formal e informal, se assim poderemos chamar.

Tudo isto para chegar a uma conclusão sobre gestão, pois neste mundo existem muitos “Business Man” que sabem tudo e tudo decidem na folha de Excel. Têm poucas preocupações com as pessoas e apenas se preocupam em cortar porque … Julgo que nem os próprios imaginam. Cortar custos em pessoas, operação, parceiros, etc… E os “Man of Business” que planeiam no Excel mas aferem na vida real, têm intuição e conhecimento para decidir. Preocupam-se com as pessoas e o valor que podem aportar à sociedade e comunidade como gestores e empresários. E claro, produzem EBITDAS positivos , pagam impostos e ganham dinheiro. Provavelmente os primeiros têm muita educação formal e os segundos muita educação formal e informal. Os primeiros têm ótimos resultados no curto prazo e os segundos no curto e longo prazo. Os primeiros são apenas racionais, os segundos são racionais mas guiados pela intuição e inteligência emocional.  Os primeiros apenas sabem ler relatórios de contas, os segundos sabem ler os mesmos relatórios de contas, mas também se rodeiam de pessoas melhores do que eles sem medo de serem substituídos e entendem o “Marketspiracy”, evitando-o (a conspiração do mercado para a grande maioria dos produtos e empresas falhar). Um MBA, um plano de negócios ou um sonho não são suficientes; temos que ter gestão, empreendedorismo, avaliar bem o mercado e estratégia, escolher a equipa certa atrair e reter talento, desenvolver os produtos e processos eficientes, inovar e ter alguma sorte (Sendo que a melhor definição de sorte que conheço é de “1% inspiração e 99% transpiração”). E tudo isso não aparece numa folha de Excel. Portanto quando se aperceber deste tipo de gestor ou empresário do Excel, corra e fuja a sete pés!

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