Hoje faço anos

Por Nuno España, Gestor

Curiosidade: A palavra aniversário é de origem latina.  Vem da junção da palavra “annus” (ano) e da palavra “vertere” (voltar), ou seja, “aquilo que volta todos os anos.

Todos os anos, no dia 14 de Setembro, faço anos… e hoje não é exceção!

A língua portuguesa tem as suas particularidades e se, por vezes, é apenas engraçado a maneira leviana como esmiuçamos cada palavra e cada expressão; por outras, de repente, encontramos um sentido mais profundo que nunca esperámos encontrar.

Hoje, pela primeira vez, debruço-me sobre o que é isto “de fazer anos”. Os anos não se “fazem”, passam por nós, quer ao ritmo acelerado pela ânsia de viver, experimentar e descobrir das crianças e dos adolescentes; como ao ritmo mais pautado, reservado e receoso dos que já viveram, experimentaram e descobriram, até as coisas que talvez não quisessem ter descoberto.

O tempo passa e os anos vão se “fazendo”, mas o que verdadeiramente interessa é o que fazemos enquanto eles vão passando. Vamos enchendo os nossos sacos de anos, repletos de experiências, vivências, alegrias, tristezas, desilusões e lições que adicionamos à vida e que nos definem enquanto pessoas.  Hoje, no meu natural ritmo acelerado, mas já a abrandar e a ser travado, paro para pensar sobre todas as coisas que fiz, todas as que me foram sido feitas – umas desejadas e planeadas, outras não tanto. Paro para pensar de que forma contribuem para a pessoa que sou e quero ser.

À semelhança do Natal e da Pascoa, considero que o dia de anos é sempre um período de reflexão; um momento de balanço. À medida que os anos passam, a forma como fazemos esse balanço vai-se ajustando, e a definição do que queremos para a frente também. A idade e as vivências vão-nos moldando. Com o tempo, aprendemos a desvalorizar o que não merece o nosso tempo e a valorizar os “pormaiores” da vida. Cliché à parte, “quando perdemos, sentimos a falta” e é a privação que nos faz entender que não há nada garantido e o melhor é aproveitar ao máximo e ser grato por tudo.

Enquanto reflito, ajuda-me pensar de que forma quero ser reconhecido quando for velhinho ou inclusivamente quando morrer. Desejo ardentemente marcar o mundo. Crescer e fazer crescer. E isso acontece se conseguir, à semelhança da parábola, por os meus talentos a render e multiplicá-los por mim e pelas pessoas com quem vivo e convivo e fazem parte da realidade da minha vida.

Faço anos hoje, 14 de Setembro. Não posso deixar de recordar a minha querida Abuela, que, querendo ser sempre a primeira, ligava-me sempre na véspera, 13 de Setembro. Este foi o primeiro ano que não me ligou na véspera, mas não deixei de pensar nela ao longo do dia. Para além disso, à boa maneira espanhola, era ela quem me dava sempre outra oportunidade para festejar e recomeçar – o 6 de Novembro, dia do santo que me dá o nome.

Muitos parabéns a todos os que, como eu, (sobre)viveram a mais este ano!

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