Governo, ou central de propaganda? Socialismo, ou liberdade?

Por Manuel Falcão, www.sfmedia.org

O governo da nação anda num frenesim. Costa não pára sossegado, desdobra-se em promessas e no desfiar das maravilhas do PRR nos numerosos comícios das eleições autárquicas onde tem andado a apaparicar as listas do PS, de norte a sul do país. Aliás não anda sózinho: da Ministra da Saúde ao Ministro das Infraestruturas, dois putativos concorrentes à sucessão de Costa, a máquina socialista actua como uma central de propaganda. António Costa até parece que concorre em múltiplos concelhos, está em todo o lado. Mesmo sem estar em nenhuma lista é o maior protagonista destas autárquicas, sempre a distribuir brindes para o futuro. Chega ao ponto de insinuar que os autarcas socialistas serão melhores a aplicar os fundos da bazuca que os de outros partidos. A sempre expedita Comissão Nacional de Eleições, que andou atrás de autarcas que queriam apenas dizer o que tinham feito no seu concelho, limita-se a timidamente recordar que o executivo tem um dever de neutralidade face aos desmandos eleitoralistas governamentais. Assim a CNE age como fiel serventuária do regime e de quem nele manda. Em resposta à observação, Costa passou todo o fim de semana a fazer mais do mesmo: distribuir promessas e evocar sucessos e amanhãs maravilhosos com o PS a mandar. É um contraste com o que se passou, por exemplo, com Carlos Carreiras e Isaltino de Morais, que estão entre os autarcas que se viram impedidos pela CNE de divulgar o que foi feito nos municípios que governaram durante este mandato.  Na sequência do ocorrido Carlos Carreiras acusou a CNE de “falta de independência” e de ser “manifestamente partidarizada e governamentalizada”. Bazuka por todo o país, promessas de diminuição de impostos, juras de descentralização sem dados concretos, este é o reino do vale-tudo. A batota eleitoral foi oficialmente instituída pelo Governo. Como Fernando Sobral bem escreveu na sua coluna no Jornal Económico: “Muitos candidatos não dizem o que podem fazer pelo país; nunca param de pensar no que o país pode fazer por eles.” Um bom exemplo disso é Lisboa, que Fernando Medina encara como uma rampa de lançamento para vôos futuros. Lisboa promete ser o palco de uma disputa renhida entre o socialismo e a liberdade.  Medina transformou a Câmara Municipal num clube de interesses privados, actuação bem visível nos casos recentemente divulgados da área do urbanismo.  Como se viu no caso das informações a embaixadas estrangeiras, Medina não sabe sequer o que os seus serviços fazem em áreas tão delicadas como o respeito à privacidade e à defesa da liberdade de manifestação. E quanto a trabalho realizado, a realidade é esta:  das promessas que fez na anterior campanha executou apenas nove das 30 medidas mais importantes que então prometeu. Em contrapartida fez muita coisa de que nem falou na sua anterior campanha, nomeadamente tornar o trânsito em Lisboa num inferno, tornar a vida na cidade mais desconfortável para quem cá vive. Termino a citar Isabel Diaz Ayuso, Presidente da Comunidade de Madrid, que nas mais recentes eleições derrotou a esquerda, numa mensagem que dirigiu a Carlos Moedas: “Como em Madrid, há que libertar Lisboa das políticas socialistas fracassadas e do seu amiguismo para que os cidadãos e empresas cresçam em liberdade, numa sociedade pujante, uma Lisboa livre, aberta a todos. Socialismo ou Liberdade?”. No fundo, é isto.

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