Emojis vs. o mundo real

Por Joana Garoupa, Gestora de Marketing

Por vezes, parece que vivemos em universos paralelos. Por um lado, temos as grandes movimentações mundiais digitais, como o streaming, o roblox, o my google, o GA4 ou o e-commerce, mas por outro, de acordo com a OCDE, um em cada três jovens de 13 anos não possui competências digitais básicas.
Os dados dizem-nos que 16,3% da nossa população não usa redes sociais. No entanto, no Twitter contabilizam-se seis mil tweets por segundo, no Instagram são publicados 95 milhões de fotografias e vídeos por dia, no Facebook há 137,75 mil milhões de publicações por mês e no WhatsApp todos os dias são trocadas 100 mil milhões de mensagens.
Das 58 vezes que o comum mortal abre o telemóvel por dia, 40 são para despender dois minutos ou menos. Em média, três vezes deixamo-nos ficar mais de 10 ou 20 minutos agarrados ao ecrã. Em contrapartida, de acordo com a OCDE, apenas pouco mais de metade dos jovens de 15 anos na União Europeia considera ter aprendido a identificar se a informação a que está sujeito é subjetiva ou tendenciosa.
Se é verdade que o e-commerce cresceu 46% em Portugal, alcançando um valor total na ordem de 4,4 mil milhões de euros em 2020, também é necessário olhar para o outro lado da moeda. Ao dia de hoje, 32% dos consumidores encontram problemas na navegação do site de compra; 29% perdem-se nas pesquisas, enquanto 27% se queixam de problemas após venda e outros 50% do serviço ao cliente. Isto é real.
A literacia digital é chave para potenciarmos a sociedade, as empresas, marcas e os negócios online pois, mais do que saber chegar a uma página de informação, entretenimento ou compra, é essencial que o publico entenda aquilo que lhe é proporcionado.
É, por isso, fulcral que, além das margens de lucro, as empresas, agências e marcas tenham a capacitação digital no core da sua atenção. Só assim conseguirão chegar de facto às pessoas e proporcionar-lhes uma experiência que os faça voltar repetidamente. E para isso acontecer, para tornar a experiência online ‘mais real’, é essencial que as marcas não descurem e  invistam na experiência do consumidor e que esta seja uma das suas principais prioridade. Antes de falarmos de futuro, que tal “get the basics right”?

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