Do estado de contingência para o estado de Alerta!

Por Ana Côrte-Real, Diretora MBA Executivo, Católica Porto Business School

É nesta fase que nos encontramos.

Um doce sabor de “normalidade”. Uma alegria sem fim por nos voltarmos a “ver” sem máscaras. Nunca desejámos tanto determinadas rotinas que nos pareciam enfadonhas antes de março de 2020.

Os filhos começam a voltar à sua vida social e com isso o seu humor (e amor) melhora.

Os encontros com os amigos tornam-se mais frequentes – e que falta nos faziam!

E os abraços? Aquele gesto que não precisa de palavras e que tanto conforto nos dá à alma.

Aparentemente este novo estado de alerta é um estado de graça.

Mas, na verdade, não é tanto assim.

O retorno à “normalidade” cria ansiedade para alguns. A aprendizagem de que em teletrabalho somos mais donos do nosso tempo. Que o trânsito é só o de casa, que as filas desaparecem e que diminui drasticamente aquela sensação de estarmos atrasados para tudo.

De repente sentimos que tivemos mais tempo para a família, que a casa está mais organizada, que conseguimos encaixar mais “momentos” na agenda.

Com a certeza, já partilhada por muitas empresas, de que quem trabalhava bem antes da pandemia trabalhou bem, e mais, em teletrabalho; ao mesmo tempo de que quem não trabalhava bem antes de março de 2020 passou a trabalhar menos, e com menos produtividade, em teletrabalho.

E então? Como será este estado de graça?

Será, com certeza, um desafio à responsabilidade individual perante a pandemia e à honestidade intelectual perante a profissão.

Será mais uma vez um desafio para as lideranças que ainda mal se recompuseram dos tempos difíceis dos últimos 18 meses. Será um desafio para a gestão das equipas, para que voltem a ser um grupo que partilha o mesmo propósito e não apenas um conjunto de indivíduos que olham pelo próprio resultado. Será um desafio para as famílias para voltarem a estabelecer rotinas e equilibrarem os novos formatos de estudo e de trabalho de cada um.

Será, como sempre, um desafio sobre PESSOAS.

Assim, que este estado de alerta seja um alerta para as organizações apostarem nas suas pessoas, nas suas equipas, na qualidade do desenho dos novos formatos de trabalho e na qualidade das relações laborais.

Mas não se espere que isto emerja por si só. É tempo de procurar parcerias que sejam capazes de promover o sentimento de pertença de forma criativa e inovadora. É tempo de coaching de equipas e de teambuildings educativos. É tempo de formação para que todos se alinhem em torno de uma visão e reforcem competências.

É tempo de dar e receber, na vida pessoal e profissional. Só assim a sociedade ganhará como um todo.

Ler Mais
Comentários
Loading...