Auf Wiedersehen Mutti Merkel (deixas muitas saudades!)

Por Joana Santos Silva, Professora de Estratégia e Diretora de Inovação do ISEG Executive Education

Esta semana aconteceu a festa de despedida da Angela Dorothea Merkel. 16 anos depois de estar a liderar a Alemanha, a Europa e uma parte do mundo, sai uma pessoa extraordinária pela sua forma de estar, pela sua inteligência e tato.

Não é para mim trivial escrever uma carta de amor, muito menos a um político, mas confesso a minha admiração profunda por esta senhora. Há tempos falava com uma docente da Faculdade de Psicologia que comentou que todos precisamos de figuras que nos inspiram, uns semi-heróis, se assim preferirem. Também me explicou que quando somos crianças temos muitas figuras destas na nossa vida, contudo à medida que envelhecemos faltam estes modelos de mentoria. Entendi de imediato a ideia. Por exemplo, a meu ver, o Vice-Almirante veio preencher uma lacuna nos corações portugueses, pois faltam-nos estas figuras no nosso dia-a-dia.

Sem desprimor pelo Vice-Almirante, para mim, a Merkel é a minha super heroína. Perfeita não será… (de forma franca, falta-lhe algum sentido de moda…) mas em todo o demais é alguém que admiro e que me motiva a ser melhor. Não porque concordo com todas as suas decisões e ações. Mas, se me permitem reforçar, foi pela mão desta grande senhora que a Alemanha aceitou perto de 2 milhões de refugiados no país como consequência de uma decisão pouco popular e muito contestada… Para isto é preciso muita coragem, mas mais do que isso a honorabilidade de viver consoante os seus valores pessoais.

A Angela Merkel liderou sempre norteada pelos seus valores, pela sua expressividade única (que tantas vezes a denunciou ao mundo) e pelo sentido de missão. Esta forma de estar reflete-se em tudo o que faz, incluindo na música que selecionou para a sua despedida. Uma música punk dos anos 70, popular na Alemanha Oriental. Reflete o espírito de rebeldia, de ousadia e de seguir de forma retilíneo o seu próprio percurso. O seu antecessor escolheu “My Way” de Frank Sinatra, mas a Merkel não precisou dessa canção, pois isso fez ela sempre. Fiel a si própria, sem estereótipos ou emulando as expectativas de um mundo de plástico e de Hiper Foco na imagem.

A Angela Merkel tornou a Europa mais resiliente numa fase de extrema fraqueza e de vacilação, com inúmeros desafios desde o Brexit, crise financeira, crise dos migrantes, pandemia da COVID-19, o senhor cor de laranja americano, o bully russo que a ameaçou com cães, etc. Para mim não há dúvida que Portugal não sucumbiu à crise financeira porque tínhamos uma fada madrinha alemã na figura de Chanceler.

Tivemos o privilégio de ter uma senhora de um intelecto fora de série, formada em química quântica e física, discreta na sua forma de estar, mas com presença e capacidade de persuasão impar. Deixará uma lacuna no seu país, na Europa e no mundo. Para o bem de todos, espero que tenhamos rapidamente outra figura de mentoria orientada por valores e não por proveito próprio.

Angela Merkel muito, muito obrigada pelo seu serviço em prol de todos nós. Neste momento, o meu rolo ficou a preto e branco…

Angela Merkel, Vielen Dank. Du bist der Beste!

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