As forças motrizes e os drivers de mudança que moldarão o futuro dos negócios e o futuro do trabalho

Por Luis Rasquilha, CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem (Research, Consulting, Business School, Online, Club), Professor da Fundação Dom Cabral, Hospital Albert Einstein

Fruto das mudanças recentes originadas pelo advento da chamada 4ª revolução industrial, catalisada pela pandemia que nos assolou no último ano e meio, o mundo tem vivido uma constante busca de identificação dos cenários que melhor caracterizam o futuro.

Diferentes publicações têm vindo à tona nos ajudando a entender como o futuro presente precisa ser incorporado em nossas realidades empresariais. De tudo o que tem sido publicado gostaria de compartilhar alguns dos temas que considero mais relevantes para o tema do futuro, do trabalho e dos negócios, resumidos de publicações de grandes empresas e instituições que se têm dedicado ao tema.

Assim, divido algumas das reflexões mais relevantes sobre o tema, estruturado em dois blocos: as forças motrizes que influenciam os negócios e os drivers que condicionam o trabalho.

  1. As grandes forças que moldarão o futuro dos negócios:

Fonte: Relatório “Workforce of Future 2019”, PWC

  1. Breakthroughts Tecnológicos

Avanços na tecnologia de informação

Automação, robótica e Inteligência artificial já estão mudando a natureza e o número dos trabalhos disponíveis. A tecnologia tem o poder de melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade, a expectativa de vida e libertar as pessoas para se focarem em funções não operacionais. Mas este fenómeno também traz as ameaças ao nível social, política e económica caso não se atinja o equilíbrio nestas mudanças.

  1. Mudanças Demográficas

Mudança no tamanho, distribuição e perfil etário da população mundial

Com algumas exceções regionais a população está envelhecendo, colocando pressão nos negócios, instituições e na própria economia. A expectativa de vida vai afetar modelos de negócio, ambições e custos de pensão. Trabalhadores mais velhos precisarão de novas competências para trabalharem mais tempo. Lifelong Learning será a norma. A falta de mão-de-obra humana em várias economias em rápido envelhecimento impulsionará a necessidade de aprimoramentos de automação e produtividade.

  1. Urbanização rápida

Aumento significativo da população mundial se mudando para as cidades

Até 2030, a ONU projeta que 4,9 bilhões de pessoas serão urbanas e até 2050 a população urbana do mundo aumentará

72%. Hoje a maioria das grandes cidades já têm crescimentos superiores a uma grande parte dos países médios. Neste novo mundo as cidades serão importantes agentes de criação de outros/novos empregos.

  1. Mudanças no poder econômico global

Mudança de poder entre países desenvolvidos e em desenvolvimento

As nações em rápido desenvolvimento, particularmente aquelas com uma grande população em idade ativa, que adotarem um espírito de negócios, conseguirem atrair investimentos e melhorarem a sua educação são as que terão mais sucesso. Os países emergentes enfrentam o maior desafio à medida que a tecnologia aumenta o abismo com o mundo desenvolvido; desemprego e migração continuarão a ser galopantes sem investimento significativo e sustentado. A erosão da classe média, disparidade de riqueza e perda de empregos devido à automação em larga escala aumentará o risco de agitação social nos países desenvolvidos.

  1. Escassez de recursos e mudanças climáticas

Combustíveis fósseis esgotados, condições climáticas extremas, aumento do nível do mar e escassez de água

A demanda por energia e água deve aumentar em 50% e 40% respetivamente até 2030. Novos trabalhos em energias alternativas, engenharia de processos, design de produtos e gestão de desperdícios serão necessários para gerenciar e reutilizar os resíduos

para lidar com essas necessidades. As indústrias tradicionais de energia e os milhões de pessoas empregadas por elas sofrerão uma rápida reestruturação.

  1. Os drivers do futuro do trabalho

Fonte: Relatório “Future of Jobs, WEF 2020”, e HBR, Out 2019

  1. Aceleração da Mudança Tecnológica
  • Novas tecnologias que substituem o trabalho humano, ameaças ao emprego (como caminhões sem motorista);
  • Novas tecnologias que expandem ou complementam o trabalho humano (ex: robôs na saúde);
  • Mudanças súbitas nas necessidades dos clientes em virtude de novas tecnologias que resultam em novos modelos de negócio, novas formas de trabalhar, ou inovação mais rápida de produto;
  • Oportunidades habilitadas pela tecnologia para monetizar serviços gratuitos (como Amazon Web Services) ou ativos subutilizados (como dados de consumo pessoal).
  1. Demanda Crescente de Habilidades
  • Educação formal, aperfeiçoamento das habilidades e conhecimento técnico necessários para executar o trabalho;
  • Escassez crescente de trabalhadores com capacidade de adaptação aos novos cenários profissionais.
  1. Mudança nas Expectativas dos Funcionários
  • Flexibilidade e autonomia de trabalho permitem melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • Aspiração de trabalhar com propósito e com oportunidade de incuti-lo nos colegas e equipes.
  1. Mudança na Demografia do Trabalho
  • Necessidades de aumentar a participação da força de trabalho de populações sub-representadas (como idosos, mulheres, imigrantes, trabalhadores rurais).
  1. Modelos de Trabalho em Transição
  • Aumento do trabalho remoto;
  • Crescimento de formas contingenciais de trabalho (como trabalho de plantão, trabalho temporário e de terceirizados);
  • Plataformas de freelancers e de compartilhamento de trabalho que fornecem acesso a talentos;
  • Execução do trabalho por meio de ecossistemas complexos de parceiros (envolvendo vários setores, regiões demográficas e empresas de diversos tamanhos), não necessariamente em uma única empresa.
  1. Evolução do Ambiente de Negócio
  • Nova regulamentação destinada a controlar o uso de tecnologia (ex: taxas de robô);

Mudanças regulatórias que afetam níveis salariais, seja diretamente (como salários-mínimos ou direitos da previdência social) ou indiretamente (como mais

  • programas públicos de transferência de renda ou de renda básica universal);
  • Mudanças regulatórias que afetam o fluxo transfonteiriço de bens, serviços e capital;
  • Maior volatilidade econômica e política, à medida que os membros da sociedade se sentem deixados para trás.

São diferentes perspectivas que se complementam e que devem ser consideradas não pensamento estratégico e de gestão para apoiar o preparo de empresas e colaboradores na gestão do futuro que já é presente.

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