Accountability

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

 

Um palavrão tão grande que representa algo maior que o próprio, pois significa responsabilidade, mas acrescida pela consciência imputável que o “accountable” é o verdadeiro gestor e “dono” do processo mas também fada forma e do resultado. Não há lugar á típica “desculpa-te” Portuguesa. Fundamental nas empresas, mas também na sociedade e na vida em família. É um inglesismo (que peço desculpa por ter que utilizar) que representa algo que não consigo traduzir em Português apenas com uma palavra , ou com o termo mais semelhante –  “responsabilidade “, pois é muito mais profundo do que isso. Acarreta uma consciência ética do destino da tarefa ou do projecto. Devo conseguir fazer algo que me permita atingir determinado objectivo, mas devo fazê-lo de forma sustentável, Durável, honrada, exemplar, ética, não apenas como profissional mas também como cidadão. 

E porquê este tema e qual a sua importância neste momento? Porque as nossas organizações devem ser “accountable” neste momento difícil da economia, quer com os seus colaboradores, mas também com a nossa sociedade. Despedir os empregados, por vezes é inevitável, mas nem sempre, por vezes  é apenas o caminho mais fácil. Não investir capitais próprios é uma forma egoísta de um empresário se proteger, enquanto as suas empresas descapitalizadas se afundam. Ou então aquelas pessoas e organizações que não pagam os impostos devidos, prejudicando todos, e sempre tentando receber qualquer “migalhinha” que daí possa vir. Estes são exemplos de falta de “accountability”, comportamentos imorais e irresponsáveis que se vulgarizaram na nossa sociedade. Tão vulgares que basta ligar a tv e ver a comissão de inquérito do BES com a regular frase do:”não me lembro”, “não sei”, “não fui eu”, “não tenho nenhum bem em meu nome”, “a crise é que é a culpada da queda da minha empresa ou investimento”, “pergunte ao gestor do banco que autorizou o empréstimo”… ou ainda nos festejos do título nacional de futebol em Lisboa, quando ainda não percebemos se foi a PSP, o MAI ou a CML que permitiram que algo que era esperado (uma multidão descontrolada e com vontade de celebrar), mas proibido e totalmente indesejável para a saúde pública, fosse acontecer. E nunca ninguém é  responsabilizado (ou preso nalguns casos), demitido sequer.

Este exemplo de inimputabilidade imoral da sociedade, tem muito a ver com a forma como somos gestores e como funcionam as nossas organizações: em muitos casos com baixos níveis de produtividade, baixos salários, Maus processos, maus resultados, fuga aos impostos; mas os empresários são ricos e trocam de “bentley” regularmente. Os bons exemplos de obtenção e geração de riqueza e emprego (que existem muitos e bons em Portugal) são confundidos com os outros, os do compadrio e aproveitamento. Ser rico em Portugal significa ser “do sistema”, em lugar de se pensar que pode ser um empreendedor, empresário, inovador, líder, como muitas vezes bem acontece . 

Basta colocar um trabalhador Português no estrangeiro, e este consegue, na maioria dos casos, ter um desempenho fantástico, organizado, bem liderado e “accountable”. Muitas vezes atingindo posições de liderança que até aos próprios Portugueses surpreende. 

Esta é a sociedade que estamos a deixar aos nossos filhos, os exemplos e comportamentos que irão reproduzir. O melhor valor que podemos deixar como nosso ADN, aos nossos filhos mas também às nossas organizações, é o da “accountability”. Pois isso significa ser responsável, ético, equilibrado, leal, honesto, inovador, livre, fraterno, respeitador, justo, honrado, tolerante, progressista. Mas também ambicioso, estratega, líder e gestor. Tudo isto é “senso comum”, mas todos os dias vejo que o “senso” não é lá muito “comum”!

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