Zelensky pediu, os aliados respondem: Tudo sobre os tanques Leopard que vão mudar o curso da guerra na Ucrânia

Foi Macron que deu o mote, após anunciar “o envio de tanques-leves AMX-10RC”, dizendo que “é a primeira vez que as Forças Armadas Ucranianas vão receber fornecimento de tanques ocidentais”. Depois de pôr em marcha o apelo, os aliados já estão a tratar de reforçar o envio deste tipo de veículos, mas aumentaram a parada: Zelensky pediu tanques Leopard, topo de gama em termos bélicos.

Os AMX-10RC, com quatro décadas, estavam a ser retirados de serviço em França e, para alguns são considerados tanques-leves, para outros veículos de reconhecimento, ou até tanques de assalto. Não têm a chamada ‘lagarta’, e o canhão de 75 milímetros é muito inferior ao de 120 milímetros que levam os alemães Leopard-2, os americanos M1, ou os ingleses Challenger. Um tanque com rodas, não parece muito ameaçador.

Mas o anúncio de Macron teve o efeito desejado, o de ser um ‘abanão’ político aos aliados. Em pouco tempo, os EUA e a Alemanha já se comprometeram a entregar veículos armados mais potentes do que o que a Ucrânia recebeu do Ocidente até agora, e que deverão concluir a sua chegada nas próximas semanas. Verdadeiros tanques, no seu sentido absoluto, com 70 toneladas de peso, um enorme canhão de 120 milímetros, capazes de atingir alvos a mais de três ou oito quilómetros (conforme o tipo de projétil disparado).

Falamos de tanques Leopard e Challenger, que Macron conseguiu que outros aliados discutissem a entrega, ao mesmo tempo que lhes ‘passou a bola’, já que a França tem a sua própria versão, o Leclerc. Assim, Macron conseguiu quebrar o tabu com o envio de tanques ocidentais que se mantinha desde o início da guerra.

A Alemanha, que fabrica os Leopard – apontados como os mais indicados para o combate na Ucrânia, já que são usados pela maioria dos membros da NATO – não quer escalar o conflito e tem deixado na dúvida a entrega do armamento.

A ideia do fornecimento de tanques Leopard tem outro grande apoiante, a Polónia, que forneceu mais de 240 tanques soviéticos T-72 durante o verão. O problema reside no facto de haver muito pouco equipamento militar soviético disponível no mercado. Com o início da guerra, começou a corrida à compra de tanques e outro tipo de armamento a países mais pobres, por parte do Ocidente para os entregar à Ucrânia, por parte da Rússia para usar na guerra.

Nenhum aliado quer dar parte fraca

Ao mesmo tempo, o gasto de artilharia chega aos níveis usados na II Guerra Mundial, com os dados do Pentágono a apontar para 100 mil tipos de bombas e mísseis usados por mês pela Ucrânia, e 600 mil pela Rússia. Para responder ao problema, a Rússia já está a recorrer à Coreia do Norte para compra e produção de artilharia, enquanto os EUA estudam a construção de fábricas na Polónia para produzir o mesmo, a fim de fornecer a Ucrânia.

Também o armamento até agora fornecido, mais antigo, não está capacitado para a intensidade de uso verificada, ao fim de quase um ano de guerra, com a Ucrânia a apresentar queixas de desgaste de tanques, sistemas de lançamento e software de controlo.

Os tanques ocidentais são, assim a solução que poderá significar uma vitória para a Ucrânia no combate contra a Rússia. A Polónia tem 240 taques Leopard e estará disponível a oferecer uma dúzia, a Finlândia o mesmo e a Dinamarca admite medida semelhante. E também a Espanha, que os tem em mau estado de conservação, mas já aprovou a entrega de 10 à Ucrânia.

A Alemanha já admite considerar a ‘luz verde’ à entrega destes tanques, que o país produz, mas mediante um acordo europeu conjunto. No fundo, ninguém quer dar parte fraca.

Os EUA, só de uma empresa, admitem mais 14 tanques a serem entregues (mas existem 2.000 novos tanques M-1 novos, prontos e nunca utilizados), e o Reino Unido já propôs oferecer 20 Challengers.

Bastavam alguns tanques de fabrico norte-americano, e topo de gama, para mudar o curso de guerra, ainda que levasse meses a marcar o fim do conflito. Mesmo que a decisão seja tomada agora, e no imediato, estes veículos só estariam operacionais, e as forças ucranianas prontas para os manobrar, na primavera, precisamente quando se espera uma escalada de violência no conflito.

No entretanto, mais armamento vai chegando

Mas enquanto os aliados ocidentais não se decidem a tomar a ação efetiva de entrega de tanques de combate, outros tipos de veículos vão chegando à Ucrânia. É o caso dos 50 M-2 Bradleys que os EUA anunciaram, ou os 40 Marder de transporte de tropas que a Alemanha já acordou fornecer.

A chegada destes veículos à frente de guerra promete um primeiro passo de escalada na guerra, mas também levanta questões sobre se as tropas ucranianas têm capacidade de gerir e manobrar tantos tipos de equipamento, tão diferentes, e vindos de vários países. Até agora, com um Exército equipado com armamento russo, australiano, inglês, alemão, holandês e francês, certo é que a Ucrânia tem surpreendido com a apreensão rápida de treino e uso eficaz do fornecimento que chega dos aliados.

O que torna os Leopard 2 especiais?

Os tanques de combate alemães Leopard 2, foram desenvolvidos no início da década de 1970, entrando em serviço em 1979, substituindo o anterior modelo. Têm sido usados pela Alemanha, mas também por cerca de uma dezena de países europeus e não-europeus.

A atual versão, o A26, de cooperação com os EUA, é distinto de outras versões por ter uma blindagem característica, inclinada, e por isso mais resistente, capaz de resistir a RPG de ogiva dupla ou projéteis de energia cinética de última geração. Têm um canhão mais moderno, com um alcance maior, e por isso, uma maior vantagem em combate.

Este modelo é considerado o melhor veículo de combate no mundo, ainda que o equipamento interior varie de país para país.

O que marca a diferença dos Leonard 2 é também o sistema de disparo, já que os estojos de cartuchos são combustíveis. Assim, quando a granada é disparada, só resta a base do cartucho, o que representa uma ‘poupança’ de espaço no tanque.

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