Vulcões, intempéries, pandemias: quando os cientistas alertam para o desastre…e ninguém ouve

A propósito do êxito da Netflix “Não Olhem Para Cima”, realizado por Adam McKay e com Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jennifer Lawrence, Cate Blanchett, Ariana Grande, Chris Evans, entre outros, no elenco, o jornal espanhol El Mundo tentou perceber porque é que a sociedade política e civil parece continuar a não ouvir os avisos dos cientistas sobre possíveis desastres da natureza. “Muitos recusam-se a ver o que está à sua frente porque não gostam”, afirma Michele Wucker, guru dos “Rinocerontes Cinzentos”, nome que se dá aos eventos previsíveis e de grande risco mas que são, infelizmente, ignorados.

Wucker alerta para a importância de dar a devida atenção aos alertas em vez de olharmos para o lado, e para a necessidade de que cada vez mais pessoas estarem conscientes destas ameaças. “Temos ainda um grande caminho a percorrer antes dos governantes, organizações e cidadãos conseguirem responder melhor aos rinocerontes cinzentos. Na sua opinião os políticos usam uma estratégia de negação ou surpresa, que consiste em catalogar um evento imprevisível como “cisne negro” [conceito criado pelo analista de riscos libanês Nassim Nicholas Taleb para se referir a fenómenos imprevisíveis e catastróficos que afetam o planeta] quando, na verdade, há muito que esse perigo estava devidamente identificado, ou seja, um rinoceronte cinzento.

“Infelizmente, os políticos têm abusado do conceito de ‘cisne negro’ ao empregarem-no como uma válvula de escape que os ajuda a evitar que lhe sejam imputadas responsabilidades por não terem atuado”, adverte Wucker. É fundamental ouvir os avisos e agir antecipadamente.

Outro dos problemas apontados neste artigo do El Mundo é a comunicação deficiente e o risco que é explicar ao cidadão comum conceitos específicos como a estatística. Ou seja, o facto de vulgarmente falarmos, por exemplo, nas piores inundações dos 50, 100 ou 500 anos, dá-nos a ideia errada de que estes fenómenos não voltam a acontecer tão cedo. E isso não é verdade. É preciso que a linguagem seja clara, quiçá menos ligada à estatística, de forma a que a mesma possa ser interpretada por qualquer pessoa. É importante também perceber que uma situação de emergência ou catástrofe não está circunscrita ao momento em que acontece.

Tomemos como exemplo os incêndios de Pedrógão, em 2017. A catástrofe, nesta situação, começou a desenrolar-se muito tempo antes. Ou seja, na forma com os terrenos, a floresta foi ou não cuidada – neste caso não foi – , limpa. Ou seja, o ‘combustível’ que foi acumulando para que a desgraça se tornasse possível. É preciso entender esta dinâmica para prevenir outras situações idênticas no futuro. Os especialistas acreditam que este é o século do ambiente, das alterações climáticas e por isso, é importante alertar sem alarmar, mas atuar.



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