Von der Leyen entre a espada e a parede para ir ao Parlamento Europeu explicar acordo das vacinas Covid-19 com a Pfizer

Estará para breve a receção do ‘convite’ que será o mais temido por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia: a convocatória para aparecer perante ao comité especial da Covid-19 do Parlamento Europeu para responder a questões dos eurodeputados sobre o polémico negócio da Comissão com a Pfizer, no fornecimento das vacinas contra a Covid-19.

Os eurodeputados querem perceber o que aconteceu exatamente nos primeiros meses de pânico com a pandemia, em 2021, quando a UE estava a tentar garantir vacinas suficientes para proteger a população do SARS-CoV-2, e mais do que isso quer entender como decorreram as negociações da Comissão Europeia (CE) com a Pfizer, que com a parceira alemã BioNTech garantiu os primeiros lotes da vacina contra a Covid-19 para a UE, num negócio multimilionário, cujos contornos se mantêm desconhecidos.

A presidente do comité, Kathleen Van Brempt, que já fez o pedido para que Von der Leyen preste declarações, já disse que exige transparência total no esclarecimento das “negociações preliminares” que levaram à compra de vacinas. É uma referência ao facto de a presidente da CE ter tido um papel pessoal principal na negociação daquele que foi o maior contrato de sempre na UE relacionado com uma vacina.

As atenções estarão voltadas, segundo o Politico, para as mensagens de telemóvel trocadas entre Von der Leyen e o diretor-executivo da Pfizer Albert Bourla, que nunca foram reveladas e já foram alvo de várias perguntas incómodas para ambos.

Aparecer ou não? O dilema de Ursula Von der Leyen
Albert Bourla já foi chamado a responder sobre o mesmo assunto, perante o mesmo comité que agora quer questionar von der Leyen e, de ambas as vezes, enviou um respresentante em seu nome, deixando as perguntas por responder.

A presidente da CE pode simplesmente recusar aparecer perante o comité do Parlamento Europeu, já que este organismo não tem poder para obrigar Von der Leyen a responder às perguntas, e precisará sempre de autorização de Roberta Metsola, presidente do PE, para que o pedido lhe chegue formalmente.

Mas o facto de Von der Leyen ser uma figura inter-institucional na UE poderá motivar ainda mais o Parlamento Europeu em não querer largar a questão, especialmente depois do escândalo de corrupção Qatargate que assolou o organismo.

O precedente já foi aberto no passado, e o Parlamento Europeu pode alegar as suas funções de supervisionar o orçamento da UE para justificar o ‘interrogatório’ sobre o negócio que custou milhares de milhões de euros. Também as duas instituições têm acordo de cooperação para partilha de informação, incluindo a confidencial (como mensagens de texto pessoais), que poderão sustentar a chamada de Von der Leyen ao Parlamento Europeu.

Por outro lado, pode também dar-se o caso, como quando Marck Zuckerberg foi ouvido num comité do mesmo tipo, de a presidente da Comissão recusar responder às perguntas, ou nunca responder diretamente ao que os eurodeputados querem ver esclarecido.
Roberta Metsola revela que já tem o pedido de convocatória na secretária, mas que ainda não antecipa qual a resposta que dará, e o procedimento a seguir. As duas podem entrar em rota de colisão, mesmo sendo eleitas pelo mesmo partido.

Especialistas apontam que a decisão pode ser para qualquer um dos lados. Um assessor de um dos membros do comité da Covid-19 aponta que, à luz do Qatargate, se Metsola não fizer chegar a convocatória a Von der Leyen “tornará o problema ainda maior”.

Já Camino Mortera-Martinez, diretora do Centro pela Reforma Europeia, aponta que “o Qatargate faz com que seja menos provável uma cooperação de Von der Leyen”. O Parlamento Europeu pode, em teoria, força-la a aparecer, ameaçando demiti-la”, recorda a especialista, sublinhando que a presidente da Comissão Europeia é nomeada pelo Parlamento. “Mas como é que farão isso no atual clima político?”, questiona, apontando que Von der Leyen tem ganho cada vez mais destaque internacionalmente, com a pandemia da Covid-19 e a guerra na Ucrânia.

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