Vírus sincicial respiratório: Regulador europeu aprovou novo fármaco, mas Infarmed diz que ainda não está a ser usado em Portugal

O número de casos de bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) tem aumentado em Portugal nas últimas semanas, mas também em vários países do mundo, como por exemplo, em França, com surtos do vírus a causarem verdadeiras enchentes nas urgências e milhares de crianças internadas.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou a comercialização na União Europeia do Beyfortus, fármaco que pode ser usado na prevenção da doença do trato respiratório inferior causada pelo VSR, responsável pela maioria das bronquiolites que afetam bebés e crianças até aos 2 anos. A aprovação surgiu depois de, no início do mês, o Beyfortus ter sido aprovado pela Comissão Europeia.

Segundo estabelece a norma publicada pela EMA este fármaco é um anticorpo monoclonal recombinante humano, e pode ser administrado em bebés recém-nascidos e lactentes durante a primeira temporada de VSR e “quando há risco de VSR infeção na comunidade”.

Segundo o portal INFOMED, do Infarmed, o medicamento também já está aprovado em Portugal pelo regulador nacional, mas ainda não existem apresentações comercializadas do Beyfortus.

Contactado pela CNN Portugal, O Infarmed adianta que “não recebeu ainda qualquer pedido de financiamento para este medicamento”, pelo que o Beyfortus, que previne bronquiolites em crianças e bebés ainda não é utilizado.

Tendo em conta a recente aprovação do fármaco pelas autoridades e reguladores de saúde europeus e nacionais tal seria normal, mas ainda não existe uma data para que o Beyfortus seja usado em Portugal.

Atualmente não existe vacina contra a bronquiolite, que tem registado surtos em vários países europeus, nomeadamente em França, onde mais de seis mil crianças com menos de dois anos foram às urgências com uma infeção pelo vírus SRV, só numa semana. No entanto, existem mais de 60 vacinas contra o vírus em desenvolvimento.

O Nirsevimab, “um anticorpo monoclonal antiviral (um tipo de proteína) que foi concebido para se ligar à proteína F (fusão) de que o VSR necessita para infetar o organismo”, vendido sob o nome Beyfortus, não é, portanto uma vacina, mas funciona à mesma como uma forma preventiva da doença. O fármaco é administrado sob a forma de uma injeção, que previne a bronquiolite através de anticorpos sintéticos, que ajudam o corpo a combater a doença.

Este é o primeiro medicamento capaz de prevenir formas graves da doença em todos os bebés, já que outro fármaco que funciona prevenção, produzido exclusivamente pela AstraZeneca, apenas era indicado para crianças prematuras ou consideradas doentes de risco.

Recorde-se que o SRV é apontado por vários especialistas, nacionais e internacionais, como um dos que se poderá ‘juntar’ ao vírus da gripe e à Covid-19 numa eventual ‘tripandemia’ este inverno, causada pelas três doenças e que poderá pressionar os sistemas de saúde.

Em Portugal, do total de internamentos por infeção respiratória aguda, 75% dos casos foi causado pelo VSR. No último relatório da DGS/INSA, é destacada a “tendência crescente” do numero de internamentos relativos à infeção pelo vírus sincicial respiratório, que tem pressionado urgências hospitalares pediátricas.

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