Vacinas Covid-19: Por que motivo há pessoas com efeitos secundários e outras sem?

Mais de 46% dos portugueses já estão totalmente vacinados e 64% têm pelo menos uma dose. As vacinas têm sido, sem dúvida, um ponto de viragem na pandemia, no entanto, levantaram uma série de questões, nomeadamente no que diz respeito aos efeitos secundários que podem causar.

Muitos, por exemplo, perguntaram-se por que razão algumas pessoas têm efeitos secundários após uma vacina e outras não. Será porque aqueles que reagem têm um sistema imunitário mais forte? Será que a vacina funciona para pessoas que não tiveram efeitos secundários após a inoculação?

Primeiramente, importa sublinhar que o facto de ter tido ou não efeitos secundários após a vacina não tem nada a ver com a eficácia da mesma. A reação à injeção está relacionada com o que se chama de resposta inata, enquanto que o efeito da vacina está relacionado com a resposta adaptativa.

“Ter ou não ter uma reação secundária à vacina (febre, dores nas articulações, cansaço) não condiciona a possibilidade de ser corretamente imunizado”, explica Manel Juan, diretor do Serviço de Imunologia da Clínica Hospitalar de Barcelona, citado pelo ‘La Vanguardia’. “Há pessoas que têm esta reação e outras que não têm, tal como há pessoas que adoecem com o vírus e outras que não”, acrescenta.

O responsável adianta ainda que “a resposta imunitária é a que vem mais tarde e consegue eliminar o vírus”, produzindo assim “anticorpos e células T para combater, neste caso, os patógenos que foram incorporados na vacina”.

Em todo o caso, ressalva o especialista, “o nível de imunização das vacinas (e também daqueles que recuperam da doença) é muito bom, independentemente de o organismo ter ou não tido esta reação. Não tem qualquer consequência”, reforça ao jornal espanhol.

O especialista considera “lógico” que algumas pessoas tenham efeitos secundários após a segunda injeção, e não na primeira. Mas também é “natural” que tenham nas duas, ou até em nenhuma, tudo depende de cada organismo.

“É normal que se o seu corpo tiver tido uma reação após a primeira dose, tenha outra reação após a segunda dose, embora não em 100% dos casos. O seu corpo é treinado para reagir, já o fez da primeira vez”, explicou.

É também comum, continua, embora nem sempre, “que alguém que não sinta nada após a primeira dose, venha a sentir na segunda dose. Isto deve-se à ‘formação’, que é um conceito que utilizamos em imunologia”.

Note-se que “esta formação não tem nada a ver com a memória gerada pelas vacinas (imunidade adaptativa), que é quando são criados anticorpos e linfócitos T (a resposta celular) que matam diretamente as células infetadas pelo vírus”, explica o especialista ao ‘La VanguardIa’.

A reação inata é adquirida desde o nascimento. “Depende da sua capacidade intrínseca, que é determinada pela sua herança genética. Mas não é preto e branco, porque uma mãe e uma filha, por exemplo, não têm exatamente a mesma genética”, esclarece.

“Mesmo em indivíduos geneticamente idênticos, gémeos, pode haver diferenças. Não nas primeiras vacinas, mas quando são administradas vacinas mais tarde, as coisas mudam. Porque ao longo da experiência antigénica, do contacto com outros microrganismos, o treino de um ou de outro muda”, acrescenta Manel Juan.

Esta resposta inata, salienta o médico, “é geralmente mais forte nos jovens”. É por isso que algumas pessoas de uma certa idade não reagem a nenhuma das doses.

“Quando as crianças pequenas se queixam porque as vacinamos (praticamente todas elas o fazem) não é só porque são mais sensíveis, mas também porque lhes causa mais inflamação e as magoa mais. Têm uma maior reação inata”, conclui.

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