Ucrânia: “Recebemos ordens para matar todos os civis que vemos”. Reveladas conversas dos soldados russos com as suas famílias

“Recebemos ordens para matar todos os que vemos”, segundo denunciou um soldado russo, ouvido num dos vários áudios verificados pelo jornal americano ‘The New York Times’ que revelaram as dificuldades das tropas invasoras nos campos de batalha na Ucrânia – nas conversas telefónicas com a família na Rússia, ‘chovem’ críticas à gestão da guerra por Putin, as terríveis condições dos seus regimentos ou as dificuldades em lidar com as tropas ucranianas.

“Estamos em Bucha. A nossa defesa está num impasse. Estamos a perder esta guerra. Recebemos ordens para matar todos os que vemos. Putin é um idiota – ele quer tomar Kiev mas não há como fazê-lo”, relatou um soldado russo, numa chamada telefónica à sua namorada. Identificado como Sergey, o soldado referiu que o seu comandante deu ordens para os civis ucranianos serem levados para a floresta e executados. “Eles podem entregar as nossas posições. É isso que vamos fazer, matar qualquer civil que passar e arrastá-los para a floresta. Já me tornei um assassino.”

Outro soldado garantiu que “ninguém nos disse que iríamos para a guerra. Avisaram-nos um dia antes de partirmos”. “Treinámos por dois ou três dias”, relatou um outro soldado, numa conversa com um amigo. “Fomos enganados como crianças.”

O Governo ucraniano e os seus serviços de Inteligência têm gravado milhares de ligações feitas entre militares da Rússia e os respetivos familiares mas até ao momento não tinham sido divulgados mas são um relato interno das falhas nos campos de batalha assim como as execuções de civis.

“Mãe, esta guerra é a pior decisão que o nosso Governo já tomou. Quando vai tudo isto acabar?”, apontou um militar, cuja mãe respondeu que na Rússia os órgãos de comunicação social informavam que estava tudo “a correr como o planeado”.

Os áudios publicados dão conta também das perdas das forças armadas russas – um soldado do 331º Regimento Aerotransportado relatou que todo o 2º batalhão, composto por 600 soldados, tinha sido “aniquilado”. Outro membro das Forças Armadas russas, questionado por um familiar sobre o número de mortos, respondeu que um terço dos soldados do seu regimento tinha perdido a vida.

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