Ucrânia: Casa Branca quer enviar mísseis antinavio para quebrar bloqueio naval da Rússia. Zelensky já havia pedido a Portugal os mesmos mísseis

A Casa Branca está a trabalhar para colocar mísseis antinavio avançados nas mãos dos combatentes ucranianos para ajudar a quebrar o bloqueio naval da Rússia, segundo garantiram as autoridades americanas à agência ‘Reuters’. A Ucrânia não escondeu que deseja capacidades mais avançadas dos EUA além de seu atual stock de artilharia, mísseis Javelin e Stinger, entre outros. A lista de Kiev, por exemplo, incluiu mísseis que podem afastar a marinha russa dos seus portos no Mar Negro, permitindo o reinício dos embarques de grãos e outros produtos agrícolas para todo o mundo.

Autoridades e ex-funcionários dos EUA e fontes do Congresso citaram obstáculos ao envio de armas mais poderosas e de maior alcance para a Ucrânia, que incluem longos requisitos de treino, dificuldades de manutenção de equipamentos ou preocupações de que o armamento dos EUA possa ser capturado pelas forças russas, além do medo de uma escalada do conflito.

Mas três autoridades dos EUA e duas fontes do Congresso disseram que dois tipos de mísseis antinavio poderosos, os ‘Harpoon’ fabricados pela Boeing e o ‘Naval Strike Missile’ fabricado pela Kongsberg e Raytheon Technologies, estão em consideração ativa para embarque direto para a Ucrânia, ou através de uma transferência de um aliado europeu que possui os mísseis.

Em abril último, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apelou a Portugal para fornecer ‘Harpoons’ aos militares ucranianos, que têm um alcance de quase 300 km. Mas há vários problemas que impedem a Ucrânia de receber os mísseis – por um lado, há disponibilidade limitada de plataformas para lançar ‘Harpoons’ da costa – uma solução tecnicamente desafiadora de acordo com vários funcionários -, pois é principalmente um míssil baseado no mar.

Cerca de 20 navios da Marinha Russa, incluindo submarinos, estão na zona operacional do Mar Negro, denunciou o Ministério da Defesa britânico. Bryan Clark, especialista naval do Instituto Hudson, disse que entre 12 e 24 mísseis antinavio como os ‘Harpoon’ com alcance superior a 100 km seriam suficientes para ameaçar navios russos e poderiam convencer Moscovo a suspender o bloqueio. “Se Putin persistir, a Ucrânia pode derrubar os maiores navios russos, já que eles não têm onde se esconder no Mar Negro”, disse Clark.

A Rússia já sofreu perdas no mar, sobretudo o naufrágio do cruzador ‘Moskva’, o navio-bandeira da sua frota do Mar Negro.

Um punhado de países estaria disposto a enviar ‘Harpoons’ para a Ucrânia, segundo as fontes da ‘Reuters’. Mas ninguém quer ser a primeira ou única nação a fazê-lo, temendo represálias da Rússia se um navio for afundado com um ‘Harpoon’ do seu stock. Os EUA estão na disposição de fornecer o míssil e assim comprometer outras nações a seguir o exemplo.

Já o ‘Naval Strike Missile’ (NSM) pode ser lançado da costa ucraniana e tem um alcance de 250 km – leva menos de 14 dias de treino para operar. Todos os pedidos de armas que tenham conteúdo dos EUA, como ‘Harpoons’ e NSMs, teriam de ser aprovados pelo Departamento de Estado dos EUA, que recebe orientação da Casa Branca.

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