Ucrânia: Aliados da NATO vão reforçar ajuda não letal e estão a analisar entrega de sistemas Patriot

Os países membros da NATO prometeram hoje reforçar o apoio não letal à Ucrânia, como combustíveis e geradores, e “há um debate a decorrer” sobre o fornecimento dos sistemas de mísseis de defesa antiaérea Patriot, já pedidos pelos ucranianos.

Estas informações foram avançadas pelo secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, numa conferência de imprensa sobre o primeiro dia da reunião do Conselho do Atlântico Norte que decorre em Bucareste, capital da Roménia, hoje e quarta-feira, ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança Atlântica.

Vincando que a reunião de Bucareste “está a enviar uma forte mensagem de unidade da NATO e de apoio sustentado à Ucrânia”, Stoltenberg enalteceu que os Aliados fizeram hoje “promessas adicionais” ao pacote de ajuda à Ucrânia ao nível de material não letal.

“Isto vai financiar apoio não letal urgente, incluindo combustíveis e geradores, ajudando a Ucrânia a lidar com as consequências dos ataques da Rússia a centrais de energia”, afirmou, sem detalhar o reforço.

Questionado sobre o fornecimento à Ucrânia de sistemas de mísseis de defesa antiaérea Patriot, pedidos hoje pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano à chegada da reunião, Stoltenberg respondeu que “há uma discussão a decorrer” sobre o tema.

No entanto, o secretário-geral da NATO sublinhou que é importante garantir que, além do fornecimento deste tipo de sistemas, que estes estão a funcionar e “são eficazes”, garantindo a existência de peças sobresselentes ou munições.

O governo alemão disponibilizou-se na semana passada a fornecer à Polónia um sistema de defesa antiaérea Patriot, depois da queda de um míssil em território polaco, que matou duas pessoas.

Contudo, o Governo polaco rejeitou este sistema oferecido pela Alemanha, dizendo que deveria ser dado à Ucrânia, uma proposta que não é válida para Berlim, porque aumentaria o envolvimento da NATO no conflito russo-ucraniano.

O secretário-geral da NATO vincou ainda que “uma paz duradoura só pode ser uma paz justa” e que a paz “não vai durar nem prevalecer se autocracia prevalecer sob a democracia e liberdade”.

“A maioria das guerras termina na mesa de negociação, muito provavelmente esta guerra vai também terminar na mesa de negociações. Mas o que também sabemos é que o que acontece nessa mesa está ligado à situação no campo de batalha. Pode parecer um paradoxo mas a realidade é que a melhor maneira de atingir uma paz duradoura na Ucrânia é providenciar apoio militar à Ucrânia”, frisou.

Para o líder da NATO, só desta forma é que o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, “vai entender que não pode atingir os seus objetivos no campo de batalha, vai ter que se sentar e negociar em boa-fé e fazer conceções sérias”, disse.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu hoje apoio dos Aliados “mais rápido, mais rápido, mais rápido”, salientando a importância para o país de geradores e sistemas de defesa aérea, nomeadamente os sistemas Patriot.

Os chefes da diplomacia da NATO terminam o primeiro dia da reunião com um jantar de trabalho informal, com a presença dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Suécia e Ucrânia.

Em algumas ruas de Bucareste, perto do Palácio do Parlamento – o edifício mais pesado do mundo, que alberga as duas câmaras do parlamento da Roménia, construído na época do regime do antigo ditador romeno Nicolae Ceausescu – vêm-se bandeiras da Roménia e da NATO em edifícios públicos que nos últimos dias foram iluminados em tons de azul, cor da Aliança Atlântica, assinalando este encontro.

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