Twitter a ferro e fogo: plataforma está inundada com teorias da conspiração, aponta estudo

A rede QAnon está a usar táticas invulgares para escapar da proibição de desinformação na rede social Twitter e assim inundar a plataforma com teorias da conspiração, segundo a ‘Business Insider’. Desde o motim no Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, o Twitter tem redobrado esforços para impedir que o movimento de extrema-direita opere na sua plataforma, tendo eliminado mais de 70 mil contas. Mas o estudo apontou que grande parte dos apoiantes e influenciadores continua a operar livremente.

Laura Dilley, professora associada do Departamento de Ciências da Comunicação e Distúrbios da Universidade de Michigan, acompanhou o fenómeno – quatro redes que promovem a propaganda QAnon, a operar desde agosto de 2020, em que algumas das contas constituintes foram já removidas pelo Twitter nesse período, embora muitas outras permaneçam operacionais. A rede mais proeminente continha 1.500 contas, que produzia mensagens agrupadas em torno de vários temas, desde as alegações falsas sobre a insurreição de 6 de janeiro, teorias da conspiração de que a eleição presidencial de 2020 foi roubada a Donald Trump, muitos das quais intimamente ligadas a redes de contas nacionalistas brancas.

Há um conjunto de técnicas para escapar às proibições no Twitter:

– Substituir contas banidas por novas com nomes quase idênticos
– Comunicar mensagens QAnon por meio de imagens, que são muito mais difíceis de rastrear e regular.
– Usar hashtags e frases com pequenas variações textuais para evitar proibições automatizadas.

“As redes eram claramente bastante dinâmicas na sua capacidade de alterar hashtags em tempo real, por exemplo WWG1WGA [um slogan popular da QAnon que significa “Para onde vamos, vamos todos”] foi alterado para WWGiWGA, embora uma ligeira variante não seja detetada em buscas automáticas por hashtags proibidas”, disse Dilley.

Após a insurreição de 6 de janeiro, houve uma forte repressão ao movimento na plataforma. Os adeptos do QAnon estavam na linha de frente no ataque ao Capitólio. Muitos conseguiram manter uma presença na plataforma, apesar da repressão, e reconstruir as suas redes rapidamente, em parte usando contas de backup. Os utilizadores puderam fazer novos perfis com “fotos de perfil semelhantes ou idênticas, geralmente com identificadores do Twitter que eram variantes de nomes de identificadores de conta suspensos”, escreveu Dilley.

O estudo revelou ainda que as redes costumavam postar as mesmas mensagens ao mesmo tempo – outros foram capazes de ganhar seguidores rapidamente logo a seguir a contas com nomes semelhantes terem sido banidas. O que, segundo a especialista, era sinal de que muitas contas eram bots, ou seja, contas automatizadas que operam num cluster coordenado em vez de serem administradas por pessoas reais, algo que é proibido pelo Twitter. Esta atividade coordenada é conhecida como ‘astroturfing digital’. “Esta é a primeira pesquisa a mostrar definitivamente evidências de astroturfing digital na promoção online do QAnon no Twitter. Além disso, a pesquisa estabelece que a atividade promocional do QAnon no Twitter estava intimamente ligada e, de facto, promovida por uma ampla variedade de redes que abrangem o nacionalismo branco”, escreveu Dilley no estudo.

Fonte do Twitter garantiu não ter detetado qualquer evidência de automação em grande escala nas redes. Contas banidas podem ganhar rapidamente grandes seguidores por meio de contas de backup em coordenação com outras plataformas, tais como o Telegram, garantiu.

“A menos que o Twitter leve a sério o seu compromisso de manter indivíduos banidos permanentemente fora de sua plataforma, a empresa continuará a ser moralmente culpada por permitir atividades de disseminação de desinformação, fomento de agitação civil e enfraquecimento da democracia”, acusou Laura Dilley.

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