“Triste por desistir do melhor emprego do mundo”: Boris Johnson demite-se

O primeiro-ministro do Reino Unido apresentou esta quinta-feira a sua resignação de Downing Street depois de uma sequência de escândalos ter abalado o seu mandato à frente do Governo britânico. “Na política, ninguém é remotamente indispensável”, precisou.

“É clara a vontade do partido conservador parlamentar de que deve haver um novo líder do partido e, portanto, um novo primeiro-ministro”, afirmou Boris Johnson, apresentando assim a sua demissão do cargo de chefe do Governo. “Estou triste por abrir mão do melhor emprego do mundo.”

Diante do tradicional pódio e ladeado pela mulher Carrie, o bebé Romy e pelos assessores próximos, Johnson apontou as suas conquistas – como o lançamento da vacina contra a Covid-19 e o Brexit. Prestou ainda homenagem à sua família por “tudo o que aguentaram”, admitindo que muitas pessoas ficariam aliviadas e outras dececionadas com a sua decisão.

“O nosso futuro é dourado”, finalizou Boris Johnson, que mantém a esperança de permanecer no gabinete até outubro, data da escolha de um novo líder. “O processo de escolher um novo líder deve começar agora”, referiu, adiantando que o calendário será anunciado para a semana: “Continuarei a servir até que haja um novo líder.” “O nosso sistema brilhante e darwiniano produzirá outro líder igualmente comprometido em levar este país adiante em tempos difíceis”, disse.

“A razão pela qual lutei tanto nos últimos tempos para continuar, não foi porque quis mas porque era a minha obrigação”, apontou, acrescentando: “Estou muito orgulhoso dos objetivos alcançados por este Governo.”

No entanto, está longe de ser claro se Boris Johnson pode permanecer até outubro ou se será aceitável para os deputados conservadores: mais de 60 membros do Governo renunciaram e há dúvidas sobre se podem ser simplesmente renomeados, ou até mesmo se concordariam em regressar. Há rumores que Boris Johnson pretende aproveitar o momento para promover políticas importantes, como cortes de impostos.

No entanto, o líder da oposição, Keir Starmer, ameaçou convocar um voto de desconfiança parlamentar e tentar forçar uma eleição geral se Boris Johnson não sair imediatamente. “Se eles não se livrarem dele, os trabalhistas vão intensificar o interesse nacional e trazer um voto de desconfiança porque não podemos continuar com este primeiro-ministro agarrado por meses e meses”, atirou o líder trabalhista.

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