Trabalhadores italianos organizam protestos no primeiro dia em que o certificado digital passa a ser obrigatório

No dia em que o certificado digital Covid passa a ser obrigatório para todos os trabalhadores italianos, organizam-se protestos em vários locais do país, contra a medida decidida pelo Governo,.

Segundo a ‘CNN’, está marcado um protesto contra a exigência do documento, no Circus Maximus, em Roma, para a tarde desta sexta-feira. Para além disso, também está em curto uma greve no porto de Trieste, no norte do país.

“O certificado digital é uma coisa péssima, é discriminação perante a lei. Nada mais. Não é um regulamento de saúde, é apenas um movimento político para criar divisão entre as pessoas”, disse Fabio Bocin, um trabalhador do porto de Trieste, citado pela ‘CNN’.

Em Roma, a polícia, preparada com equipamentos ‘anti-greve’, posicionou-se em frente a uma pequena manifestação com pessoas que gritavam “abaixo o passaporte sanitário”.

O gabinete do primeiro-ministro, Mario Draghi, aprovou a regra – uma das medidas anti-Covid mais rígidas do mundo – em meados de setembro, vigorando até ao final do ano.

Cerca de 15% dos trabalhadores privados e 8% dos trabalhadores do setor público de Itália não têm certificado, de acordo com um documento interno do governo a que a ‘Reuters’ teve acesso.

O governo esperava que a medida convencesse os italianos não vacinados a mudar de ideias, mas com mais de 80% da população acima de 12 anos já totalmente vacinada e as taxas de infeção baixas, esse aumento não se materializou.

Quem não tiver certificado arrisca multas até 1.500

A partir de hoje, todos os trabalhadores públicos e privados terão de mostrar este “passe covid”, e caso não o possuam ficam impedidos de acesso ao seu local de trabalho ou arriscam multas entre 600 e 1.500 euros.

Os dias que decorrem até justificarem que possuem o “passe covid” são considerados como ausência injustificada, incluindo os dias feriados ou de descanso semanal, apesar de estar excluída a hipótese de despedimento pelo facto de não possuírem passaporte sanitário.

O controlo deve ser diário e estará a cargo de funcionário que a empresa designará como responsável para essa função, e que poderá ler os códigos QR com uma aplicação informática desenvolvida pelos ministérios da Saúde, Inovação e Economia, e onde não serão obtidos dados do trabalhador ou detalhes sobre se o certificado foi emitido devido a vacinação ou a um teste covid.

O certificado covid poderá ser pedido antecipadamente para que sejam organizados os turnos e se evitem filas, mas não mais do que dois dias antes da sua apresentação.

Está proibida a preservação do código QR por parte das empresas ou o seu uso para outros fins distintos do controlo diário para o acesso ao trabalho.

Último fim de semana marcado por violência

O Governo italiano tem estado sob pressão para banir os movimentos neofascistas que participaram em violentos protestos antivacinação no passado fim de semana. Os manifestantes deixaram uma onda de destruição, que culminou no ataque a um hospital.

O protesto deixou 38 polícias feridos e resultou na prisão de 12 manifestantes, incluindo os líderes de um grupo neofascista conhecido como ‘Forza Nuova’. O grupo, que não permite a adesão de vacinados, tem buscado tirar capital político da pandemia, infiltrando-se em violentos protestos antivacinas e antimáscaras desde os primeiros dias do bloqueio.

Os manifestantes protestavam contra a introdução obrigatória do certificado para todos os trabalhadores do sector público e privado.

 

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