Thilafushi: a ilha do lixo nas Maldivas construída ao lado de alguns dos resorts mais exclusivos do mundo

Nas Maldivas, a nação insular no Oceano Índico, o Governo local decidiu fazer algo bastante drástico para resolver um problema no início dos anos 1990: a construção de uma nova ilha para o lixo. Ou, mais bem dito, contruíram uma ilha com o seu lixo. Bem-vindos a Thilafushi!

Desde o arranque do projeto, a nova ilha de lixo acumulou resíduos da cidade vizinha de Malé, capital das Maldivas. Ao longo do anos, esse lixo era muitas vezes atirado para o oceano ou pegava fogo, o que deixava os ambientalistas preocupados. Agora, o país está a começar a mudar a forma como abordam o lixo na ilha, segundo apontou o site ‘Gizmodo’ – mas os desafios das Maldivas são indicativos de um problema global de lixo.

Originalmente, a ilha era apenas uma área rasa do oceano, segundo relatou o ‘Channel News Asia’. Mas à medida que o lixo se acumulava, as áreas rasas tornaram-se numa ilha completa, com prédios industriais e estradas. O local foi escolhido devido à sua proximidade com Malé – a maior cidade do país, com uma população de cerca de 250 mil pessoas. Muito do lixo também chega da grande indústria de turismo das Maldivas, pois as pessoas vêm de todo o mundo para visitar os magníficos resorts de praia.

O espaço é um problema em toda a nação insular para mais do que apenas o lixo, segundo apontou Andrea Simonelli, cientista política da ‘Virginia Commonwealth University’, que realizou pesquisas sobre a crise climática nas Maldivas, em declarações ao jornal britânico ‘The Independent’. Em algumas das ilhas menores visitadas, Simonellu notou uma pilha gigante de lixo, muitos dos quais em chamas, o que pode causar problemas com gases potencialmente tóxicos: a maioria dessas ilhas estão muito longe de Malé para trazer o seu lixo para Thilafushi, garantiu a especialista.

Em certo sentido, ao afastar o lixo da maioria das pessoas na cidade, a ilha de lixo pode ser um pouco mais ecológica do que outros métodos de gerenciamento de resíduos. Mas, ainda assim, mantém o lixo no oceano, onde pode impactar a vida marinha.

As Maldivas são o país mais baixo do mundo, com uma média de apenas 1,5 metros acima do nível do mar – segundo o ‘Gizmodo’, o ponto mais alto do país fica na ilha do lixo. Espera-se que a crise climática aumente o nível do mar no Oceano Índico em pelo menos 0,6 metros até 2150, com a possibilidade de exceder 2,2 metros – quando a maior parte da terra é tão baixa como nas Maldivas, qualquer quantidade de nível do mar é sinal que vai consumir muito terreno.

O país tem algumas soluções potenciais para aliviar o problema do lixo. Por um lado, o Governo das Maldivas elaborou planos para construir um incinerador de resíduos para energia em torno de Thilafushi. Além disso, o ‘Gizmodo’ relatou que o país está a tomar medidas para proibir os plásticos de uso único – Simonelli observou que o país poderia utilizar algumas das suas ilhas desabitadas para outros fins, como instalações de reciclagem.

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