Teletrabalho: Empresas começam a pagar despesas através de um valor fixo

Perante as dificuldade enfrentadas pelas empresas na aplicação do novo regime de teletrabalho e no cálculo das despesas inerentes, algumas entidades já decidiram pagar aos trabalhadores um valor fixo para colmatar o aumento dos gastos, em vez de calcularem individualmente, através da apresentação das faturas, avança o ‘Público’.

Segundo a mesma publicação, que fez um inquérito a uma dezena de grandes empresas, duas assumiram que estão a calcular um valor fixo a pagar a quem está em teletrabalho, é o caso da IKEA e da Randstad. Mas há muitas mais a optar por essa solução, ainda que não admitam.

No caso da IKEA, a partir do momento em que o teletrabalho se tornou obrigatório, ainda em 2020, foram disponibilizadas as ferramentas de trabalho essenciais aos seus trabalhadores e foi prevista a possibilidade de compensar custos adicionais com a Internet.

Devido ao facto de existirem “procedimentos tão complexos e burocráticos, que tornam a medida virtualmente impossível de aplicar no dia-a-dia”, a empresa optou por estimar um valor médio mensal para todas as pessoas que estão em teletrabalho, adianta o ‘Público’.

Da mesma forma, a Randstad está a equacionar pagar um montante fixo aos seus trabalhadores e poderá ter de reajustar o pacote de dados que já é oferecido a quem está em trabalho remoto.

De acordo com a nova lei, quem paga agora as despesas inerentes ao trabalho é a empresa. Contudo, o regime traz dificuldades, nomeadamente a “elevadíssima probabilidade” de trabalhadores que desempenham as mesmas funções virem a receber comparticipações desiguais; e o facto desta aplicação ser “difícil, morosa e burocrática”, refere ao jornal Sofia Monge, advogada e sócia da Carlos Pinto de Abreu e Associados.

Por esse motivo, e não havendo uma regulamentação da lei, algumas empresas estão a optar por soluções alternativas, pagando um valor fixo aos trabalhadores. “Existem empresas que entregaram a cada trabalhador um hotspot portátil e que fizeram um estudo acerca dos kilowatts gastos por um computador ligado durante um dia”, concretiza.

“Multiplicaram esse valor pelos dias de trabalho durante um ano (contemplando até períodos que não são de trabalho, como períodos de férias) e pagam no início de cada ano aos trabalhadores em regime de teletrabalho o valor correspondente a esse custo”, acrescenta a responsável, citada pelo jornal.

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