Sem vacinas, sem emprego: casos italiano e francês dividem atenções na Europa

Em Itália, a partir desta sexta-feira, o passaporte sanitário passa a ser exigido a todos os trabalhadores dos sectores público e privado. Sem certificado digital – que prova a a vacinação, recuperam de infeção ou realizaram um teste negativo horas antes – serão impedidos de entrar no local de trabalho.

Até ao final deste ano, pelo menos, todos os trabalhadores do sectores públicos e privados terão de mostrar este “passe Covid” e, caso não o possuam, arriscam multas entre os 600 e os 1.500 euros se acederem ao local de trabalho. Também os empregadores podem ser multados caso não verifiquem se os funcionários cumprem as normas e têm certificado.

Um dia depois de Draghi ter sancionado o mandato em lei, novos dados alarmantes surgiram detalhes sobre a grande perturbação que poderia representar para a 3ª maior economia da zona Euro. De acordo com documentos estatais, 23% dos trabalhadores do sector público e privado não têm ‘Green Pass’ válido, alimentando receios de que a nova lei de proibição de emprego criará escassez de mão-de-obra no meio de uma recuperação económica.

Em França, as regras rígidas foram anunciadas a 12 de julho último, numa aposta do Governo de Emmanuel Macron que parece ter tido um efeito positivo. As regras incluem a proibição das pessoas em entrar em cafés, restaurantes, museus, cinemas e eventos desportivos sem prova de vacinação completa ou testes Covid-19 negativos recentes.

Em solo francês, nos últimos três meses, as taxas de vacinação subiram exponencialmente – cerca de 85,5% dos franceses com mais de 12 anos estão totalmente vacinados, ou seja, dos 28 milhões de pessoas em julho último para 49,3 milhões atuais, de acordo com as estatísticas do Governo.

A decisão de suspender os funcionários públicos não vacinados – incluindo bombeiros e até mesmo funcionários da biblioteca – provou ser profundamente controversa, especialmente porque Macron enfrenta uma dura batalha pela reeleição em abril próximo. Os seus adversários aproveitaram a questão, realizando protestos semanais, que tiveram a adesão de milhares de pessoas.

“Era politicamente arriscado porque essas profissões são muito populares”, disse Emmanuel Rivière, chefe de pesquisas internacionais da agência de pesquisas Kantar Public, que salientou que a decisão de Macron tem sido cada vez mais aceite pelos franceses. “Lentamente, mas com segurança, a proporção de recusas diminuiu”.

Jean-François Delfraissy, presidente do conselho consultivo científico da Macron, disse ao jornal ‘Le Monde’ na passada quinta-feira que a 4ª onda de coronavírus não teve grande impacto, graças às altas taxas de vacinação da França. “Depois de muitas críticas à resposta francesa e às escolhas políticas, a França está entre os melhores países vacinados”, disse ele. “Os nossos concidadãos em geral têm sido muito tolerantes com as restrições de saúde e, por isso, agradeço-lhes.”

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