Rússia reage a envio de tanques Leopard para a Ucrânia e diz que apoio é “um plano destinado ao fracasso” que “vai falhar”

A presidência russa (Kremlin) considerou hoje que o envio de carros de combate alemães e possivelmente norte-americanos para a Ucrânia é um “plano sobrestimado”, garantindo que “vai falhar”.

“É um plano destinado ao fracasso”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na sua conferência de imprensa diária, pouco depois de a Alemanha ter autorizado o envio de ‘Leopard 2’, de fabrico alemão, para os militares ucranianos combaterem a invasão russa.

O fornecimento de carros de combate pesados à Ucrânia “é sobrestimado” e não vai dar a Kiev a vantagem desejada pelo Ocidente, sublinhou.

Os carros de combate “vão queimar como todos os outros”, disse Peskov, avisando que serão os cidadãos ucranianos que irão arcar com os custos destas decisões políticas.

A Alemanha autorizou esta manhã o envio de carros de combate ‘Leopard 2’ para a Ucrânia, tendo um porta-voz do Governo explicado que a decisão visa apoiar Kiev “da melhor maneira possível”.

O Governo polaco pediu, na terça-feira, formalmente autorização à Alemanha para enviar estes carros de combate para a Ucrânia no âmbito de pequena coligação de países que pretendem fazer o mesmo.

A Alemanha tem estado sob crescente pressão para entregar os seus ‘Leopard’ à Ucrânia, que está a pedi-los insistentemente e, no domingo, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, disse que o país estava pronto para entregar os carros de combate, apesar do chanceler alemão ter mostrado relutância em comentar o assunto.

“Se nos colocassem o pedido, não nos oporíamos”, afirmou Annalena Baerbock.

Hoje, o porta-voz da presidência russa referiu que o debate público entre diferentes governos sobre a entrega de veículos de combate às forças armadas ucranianas mostra que “nem tudo vai bem” nas relações dos países teoricamente aliados.

Na sua conferência de imprensa diária, Dmitri Peskov admitiu que a situação no mundo é extremamente alarmante e tensa, e que não há “détente” (palavra francesa usada na política internacional desde a década de 1970 e que significa uma redução da tensão) à vista, referindo que o ‘relógio do juízo final’, que visualiza a probabilidade do desaparecimento da humanidade, já está a 90 segundos da meia-noite (hora que simboliza o fim).

“A situação como um todo é realmente alarmante, sobretudo a Europa”, afirmou.

Peskov sustentou ainda que, “tendo em conta a linha escolhida pela NATO, sob liderança dos EUA, não há perspetiva de qualquer détente”.

O Boletim Atómico dos Cientistas, organização encarregada de administrar o ‘relógio do juízo final’ desde sua criação, em 1947, mudou hoje a hora do relógio, três anos depois de ter colocado os ponteiros em 100 segundos antes da meia-noite.

A situação hoje é pior do que em 1953, quando o relógio marcava dois segundos para a meia-noite, num dos períodos mais tensos da Guerra Fria, quando soviéticos e norte-americanos realizaram os primeiros testes de armas nucleares.

Ler Mais



loading...
Notícias relacionadas