“Rosto do primeiro-ministro não pode mudar ao fim de dois anos e meio”, avisa o Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa vincou a exigência que espera do novo Governo que tomou posse esta quarta-feira. No discurso após a tomada de posse do XXIII Governo Constitucional, o Presidente da República deixou ainda uma mensagem clara a António Costa ao ressalvar que o “rosto do primeiro-ministro não pode mudar ao fim de dois anos e meio”.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que durante a campanha para as eleições legislativas de 30 de janeiro foi António Costa quem decidiu resumir a disputa a dois candidatos – ele e Rui Rio – e que os “portugueses deram maioria absoluta a um partido, mas também a um homem”.

O Presidente da República advertiu assim contra uma eventual saída do primeiro-ministro  a meio do novo ciclo que agora se inicia. “Agora que ganhou por quatro anos e meio, Vossa Excelência sabe que não será politicamente fácil que a cara que venceu de forma incontestável e notável possa ser substituída por outra a meio do caminho”, frisou o Chefe de Estado.

“Já não era fácil no dia 30 de janeiro, tornou-se ainda mais difícil depois do dia 24 de fevereiro”, acrescentou, referindo-se à invasão russa da Ucrânia.

O Presidente também endureceu o seu discurso ao dirigir-se ao novo Executivo de maioria absoluta. “Os portugueses deram maioria absoluta, não deram nem poder absoluto nem ditadura da maioria”, avisou.

Marcelo também assinalou que o momento que se vive no presente “exige passos mais vigorosos” do que os passos do Governo anterior, apontando que o terceiro Executivo de António Costa tem de fazer uma “utilização rigorosa dos fundos” e que isso deve traduzir-se numa maior aposta no investimento e no crescimento económico.

Lembrando que os portugueses “esperam, como em todos os tempos de guerra, segurança, estabilidade, unidade no essencial, recusa de primazia de incertezas ou tensões secundárias”, o Chefe de Estado sublinhou que “é essencial não esquecemos o que aprendemos nestes dois anos de pandemia e guerra, que não somos uma ilha ou um oásis”.

Num discurso que começou por focar-se na guerra na Ucrânia e na forma como o mundo mudou  – “O mundo olhou-se ao espelho e viu que tinha mudado sem disso dar-se conta”, disse o Presidente da República – Marcelo Rebelo de Sousa referiu que é preciso “garantir que tudo o que for possível se fará para proteger o custo dos bens essenciais que a guerra agravou, e que a guerra fria pode agravar ainda mais”, numa menção à inflação.

A concluir o seu discurso, Marcelo deixou ele próprio uma garantia aos portugueses, para que não restem dúvidas sobre qual vai ser o seu papel com um Governo de maioria absoluta. “Aqui estou para mais estes quatro anos de aventura”, enfatizou.

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