Regresso às aulas. “Escolas deviam testar a qualidade do ar”, alerta especialista

Manuel Gameiro da Silva, especialista em qualidade ambiental nos edifícios, defende que, numa altura em que os alunos se preparam para o novo ano letivo, ainda em tempos de Covid, uma das medidas implementadas nas escolas, devia passar pelo teste da qualidade do ar.

“Os medidores de CO2 fazem sentido nas escolas e em qualquer edifício. Com a variante Delta, a qualidade do ar assume uma importância ainda maior”, disse em declarações ao ‘Diário de Notícias’ (DN).

O também professor catedrático da Universidade de Coimbra, acrescenta ainda que “as recomendações da DGS que dizem que devemos ter ventilação natural não estão totalmente corretas”.

“Quando temos ventilação natural, o valor máximo da taxa de renovação que conseguimos é de 2,5 a três renovações por hora. Quando queremos chegar às seis renovações, precisamos de ventilação mecânica”, explica, citado pelo jornal.

Segundo o responsável, apesar da mais-valia da vacinação, “que diminui a possibilidade de infeção e garante uma letalidade menor, a verdade é que a transmissão não se altera se ficarmos infetados”, defende.

“O que nós estamos a verificar é que há três semanas que andamos com mais de dois mil infetados por dia. Claro que há menos internamentos, mas temos de ter cuidado enquanto os números não baixarem significativamente”, alerta.

Para Manuel Gameiro da Silva, “retirar as máscaras, por exemplo, seria um erro e não olhar para a questão da qualidade do ar também o seria. Acresce ainda a questão dos transportes públicos, que tem sido desvalorizada erradamente. Os níveis de CO2 em alguns transportes são preocupantes”, indica.

Questionado sobre a existência ou não de níveis mínimos de qualidade do ar nas escolas portuguesas, o especialista não dá uma resposta concreta. “Em 2013, acabou-se com a obrigatoriedade das auditorias e, neste momento, deixámos de ter a possibilidade de saber o que é a qualidade do ar dos nossos edifícios. Deixámos de ter um sistema que nos permita fazer essa vigilância”, afirma.

“Temos um contrassenso que é a existência de legislação das concentrações que não podem ser excedidas, mas depois nada disso é verificado na prática porque não há auditorias. Se as coisas não são verificadas, não sabemos o que temos nos nossos edifícios”, adianta ao ‘DN’.

Apesar de as regras para o arranque do novo ano letivo (agendado para a semana de 14 a 17) ainda estarem a ser discutidas, ao que tudo indica Portugal deve manter as medidas passadas: máscaras, sistema de bolha na turma e janelas e portas abertas para facilitar a renovação do ar.

A ministra da Presidência, Mariana Viera da Silva, disse que as medidas estavam a ser trabalhadas, e que na verdade seriam as regras já conhecidas, apenas com “algumas adaptações”.

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